O Norges Bank Investment Management (NBIM), gestor do fundo soberano da Noruega, aumentou sua exposição indireta ao Bitcoin em 192% no segundo trimestre de 2025, atingindo o equivalente a 7.161 BTC.
O movimento foi feito por meio de investimentos em empresas listadas que possuem grandes reservas de Bitcoin, como MicroStrategy, Metaplanet, Coinbase e Marathon Digital.
Dessa forma, o maior fundo soberano do mundo, com US$ 1,6 trilhão em ativos, reforça a tendência de adoção institucional da criptomoeda como parte de estratégias de diversificação e proteção contra riscos macroeconômicos.
Estratégia de alocação indireta em Bitcoin
O NBIM não compra Bitcoin diretamente. Em vez disso, utiliza ações de empresas com tesouros em BTC para obter exposição ao ativo. Sendo assim, o fundo evita os desafios regulatórios e operacionais da custódia de criptoativos, mantendo sua política de investimentos em ativos tradicionais.
Principais empresas no portfólio
A maior parte da exposição vem da MicroStrategy, que detém mais de 200 mil BTC. Além disso, o NBIM aumentou sua participação na japonesa Metaplanet, que também possui reservas significativas.
Igualmente, o fundo ampliou posições em Coinbase, Block e Marathon Digital, todas com forte presença no mercado cripto.
Inclusive, o relatório 13F do segundo trimestre mostra que o NBIM adicionou cerca de 3.340 BTC em exposição apenas nos primeiros seis meses de 2025.
Desdobramentos e impacto no mercado institucional
A decisão do NBIM reflete uma mudança estrutural no perfil dos investidores institucionais. Fundos soberanos, antes avessos ao risco cripto, agora buscam formas indiretas de se expor ao Bitcoin sem comprometer suas diretrizes legais.
Tendência global entre fundos estatais
- O fundo de pensão de Wisconsin dobrou sua exposição a ETFs de Bitcoin em 2025
- O Cazaquistão anunciou planos de converter parte de suas reservas em cripto
- Abu Dhabi e Singapura já investem em empresas como Coinbase e BlackRock
Sendo assim, o movimento da Noruega pode influenciar outros fundos soberanos a seguir o mesmo caminho. Por fim, analistas apontam que mesmo alocações pequenas, quando feitas por fundos trilionários, têm impacto direto na liquidez e legitimidade do mercado cripto.
Bitcoin como proteção contra riscos sistêmicos
Além da diversificação, o NBIM pode estar usando o Bitcoin como hedge contra riscos como desvalorização cambial, instabilidade geopolítica e inflação global. Em resumo, o ativo começa a ser visto não apenas como especulativo, mas como reserva de valor em portfólios institucionais.
Inclusive, o aumento da exposição coincide com a valorização do BTC no trimestre, que superou US$ 120 mil, impulsionado por cortes de juros, entrada de capital em ETFs e aumento da demanda institucional.
Crescimento histórico da exposição do NBIM ao Bitcoin
O salto de 192% na exposição indireta ao Bitcoin não foi um evento isolado. Trata-se de um crescimento orgânico que vem se consolidando desde 2020. Naquele ano, a exposição era de apenas US$ 796 milhões. Em 2021, subiu para US$ 1,5 bilhão. Já em 2023, ultrapassou US$ 2,4 bilhões. Assim sendo, o valor atual de US$ 7,161 bilhões representa uma evolução de mais de 800% em cinco anos.
Participações acionárias em empresas cripto
Além da MicroStrategy, o NBIM aumentou sua participação na Coinbase em mais de 96% desde 2024. Da mesma forma, investiu US$ 1,2 bilhão em ações da Strategy, uma holding japonesa focada em acumular Bitcoin. Inclusive, o fundo também possui posições relevantes em Block, Inc. e Tesla, ambas com exposição direta ou indireta ao BTC.
Por fim, esse portfólio diversificado permite ao NBIM capturar os ganhos da valorização do Bitcoin sem enfrentar os riscos operacionais da custódia direta.
Bitcoin como ativo inevitável nos portfólios institucionais
Segundo Vetle Lunde, da K33 Research, o Bitcoin está se tornando um “ativo inevitável” para fundos com portfólios amplos e globais. Dessa forma, mesmo que não haja intenção explícita de investir em cripto, a exposição acaba sendo uma consequência das participações em empresas inovadoras.
Impacto simbólico para os cidadãos noruegueses
Cada cidadão da Noruega, por meio da propriedade coletiva do fundo, detém indiretamente cerca de US$ 138 em Bitcoin. Embora o valor pareça modesto, ele representa um marco simbólico: o Bitcoin já faz parte da reserva nacional do país, ainda que por vias indiretas.
Sendo assim, o movimento do NBIM não apenas legitima o Bitcoin como ativo institucional, mas também o insere no cotidiano econômico de uma nação inteira.


