O número de contas laranja no Brasil registrou crescimento preocupante em 2025, e a inteligência artificial (IA) aparece como fator que facilita a expansão desses golpes.
De acordo uma recente pesquisa da Quod, as contas em nome de terceiros sem consentimento aumentaram 12% em relação ao primeiro semestre de 2024, enquanto fraudes associadas a essas contas dispararam 38%.
Além disso, o estudo revelou que tecnologias digitais, incluindo IA, estão tornando os golpes com contas laranja mais sofisticados e difíceis de detectar. Ferramentas automatizadas permitem que criminosos abram contas rapidamente, usem dados de forma ilícita e executem fraudes em larga escala.
“Ferramentas digitais, inteligência artificial e acesso facilitado a dados tornaram os golpes mais difíceis de identificar e mais rápidos de executar”. Informou Danilo Coelho, diretor de produtos e dados da Quod, ao InfoMoney
Ele ainda destacou que educação financeira e tecnológica é essencial para reduzir esse tipo de vulnerabilidade.
A educação financeira e tecnológica surge como a principal defesa contra fraudes. Pessoas instruídas sobre como funcionam as contas bancárias e transações digitais reconhecem práticas suspeitas com maior rapidez, evitando cair em armadilhas digitais.
Segundo Coelho, “quando as pessoas entendem como funciona o sistema, reconhecem práticas suspeitas mais rapidamente e se tornam menos vulneráveis a promessas enganosas”.
Tipos de contas laranja e como se proteger
De acordo com Marcelo Alves de Souza, coordenador da Comissão de Prevenção a Fraudes da ABBC, informou que existem dois tipos principais de contas laranja, sendo elas:
- Contas abertas com anuência do próprio laranja.
- Contas criadas usando dados de pessoas que desconhecem o uso de seus CPFs.
Para se proteger, é recomendado o monitoramento de contas abertas em seu nome usando o Registrato, uma plataforma do Banco Central que lista todas as contas associadas a um CPF.
Banco Central reforça regras para prevenir fraudes
A Resolução 501 do Banco Central, em vigor desde 13 de outubro, obriga instituições financeiras a bloquear transações suspeitas envolvendo contas laranja. A norma exige uso de ferramentas robustas de detecção e prevenção, capazes de cruzar dados internos e externos para identificar irregularidades.
Essas medidas refletem o esforço do governo em reduzir golpes e proteger consumidores, principalmente em um cenário em que IA facilita ações ilícitas.
Apesar do aumento das fraudes, a tecnologia também pode proteger contra golpes. É possível fortalecer a segurança por meio de sistemas de monitoramento, análise de comportamento de transações e educação financeira digital.
Governança e métodos de pagamento no Brasil
Além da segurança, a governança bancária influencia na escolha de métodos de pagamento. Um estudo da Qive revela que transferências entre empresas (B2B) ainda preferem boletos, com Pix representando apenas 1,61% das transações. Essa tendência mostra que, mesmo com o avanço tecnológico, práticas tradicionais oferecem maior controle e segurança.
O crescimento de golpes com contas laranja no Brasil demonstra a necessidade de uma educação financeira acessível a todos. Assim como, consequentemente, o monitoramento constante e regulamentação rigorosa.
Cidadãos atentos, bancos preparados e tecnologias avançadas são aliados fundamentais para reduzir fraudes e proteger dados pessoais.


