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Implante cerebral devolve movimentos e tato a homem com paralisia após lesão na medula

Implante cerebral permite que homem com paralisia volte a mover os braços, recuperar o tato e realizar atividades sozinho após lesão medular.

Implante cerebral permite recuperação de movimentos e tato em paciente com paralisia.

A seguir:

  1. Implante cerebral permitiu que paciente com paralisia voltasse a movimentar braços e mãos.
  2. Também restaurou parte da sensação de toque após lesão na medula.
  3. E apresentou efeitos duradouros, mesmo após períodos sem utilização contínua.

Uma tecnologia desenvolvida por pesquisadores dos Estados Unidos trouxe novos avanços para o tratamento de pessoas com lesão medular. Um implante cerebral permitiu que um homem que ficou paralisado do peito para baixo voltasse a movimentar os braços, alimentar-se sozinho e recuperar parte da sensação do tato, mesmo anos após o acidente que mudou sua vida.

O caso envolve Keith Thomas, morador de Nova York, que sofreu uma grave lesão na medula espinhal em 2020. Depois de participar de um estudo clínico e passar por meses de treinamento, ele conseguiu recuperar movimentos que pareciam impossíveis desde o acidente. Além disso, o sistema apresentou um resultado inesperado: parte das funções permaneceu ativa mesmo quando o equipamento não estava em funcionamento.

Os resultados foram publicados na revista científica Nature Medicine e representam um passo importante para o desenvolvimento de tratamentos voltados à recuperação de pacientes com paralisia.

Implante cerebral conecta cérebro diretamente aos braços

O estudo utilizou um implante cerebral associado a uma interface cérebro-computador capaz de contornar a lesão existente na medula espinhal. Em vez de depender da comunicação interrompida entre cérebro e corpo, o sistema cria uma nova rota para transmitir os comandos responsáveis pelos movimentos.

Durante o procedimento, os pesquisadores implantaram eletrodos diretamente no cérebro de Keith Thomas. Esses dispositivos identificam a intenção de mover os braços e enviam os sinais para equipamentos responsáveis por estimular os músculos dos membros superiores.

Como consequência, o paciente passou a executar movimentos que havia perdido após o acidente, incluindo tarefas simples do cotidiano, como levar alimentos à boca, beber em um copo e limpar o próprio rosto.

A tecnologia não apenas restaurou movimentos, mas também permitiu que atividades básicas voltassem a fazer parte da rotina do paciente.

Implante cerebral também devolveu parte da sensação de toque

Além da recuperação motora, o implante cerebral trouxe outro resultado considerado extremamente relevante pelos pesquisadores: o retorno parcial da sensibilidade.

Para alcançar esse objetivo, sensores foram posicionados na mão, nos dedos e no polegar do paciente. Sempre que esses sensores detectavam contato com algum objeto, eles enviavam sinais diretamente ao cérebro, simulando a sensação do toque.

Com isso, Keith Thomas voltou a sentir estímulos que estavam completamente ausentes desde a lesão. Entre os relatos apresentados pela equipe médica, ele conseguiu perceber o toque da mão da irmã e sentir a textura do pelo de seu cachorro.

Segundo os pesquisadores, essa etapa foi fundamental porque o cérebro passou novamente a receber informações sensoriais enquanto controlava os movimentos, tornando as ações muito mais naturais.

Treinamento com implante cerebral mostrou evolução contínua

A recuperação não aconteceu imediatamente após a cirurgia. Pelo contrário, Keith Thomas participou de um programa intensivo de treinamento durante aproximadamente 35 semanas.

Ao longo desse período, os cientistas acompanharam a evolução da força muscular e da coordenação motora. Os resultados mostraram um aumento de 86% na força do braço direito e de 62% no braço esquerdo.

Antes do início do estudo, Thomas sequer conseguia levantar as mãos até o rosto. Após meses utilizando o implante cerebral, ele passou a realizar movimentos independentes, como coçar o nariz e enxugar o próprio rosto, tarefas consideradas simples, mas extremamente importantes para sua autonomia.

Os pesquisadores também destacaram que o sistema apresentou precisão suficiente para permitir o manuseio de objetos delicados, incluindo cascas de ovos, demonstrando um elevado nível de controle motor.

Nova técnica potencializou os efeitos do implante cerebral

Durante o desenvolvimento da pesquisa, a equipe criou uma estratégia chamada “espelhamento cortical”, cujo objetivo era ampliar a recuperação da sensibilidade.

Primeiramente, os cientistas registraram a atividade cerebral de Keith Thomas enquanto ele imaginava estar sendo tocado. Depois disso, reproduziram os mesmos padrões elétricos diretamente nas áreas responsáveis pela percepção sensorial.

Ao mesmo tempo, aplicaram estímulos na pele e na medula espinhal. Essa combinação favoreceu uma reorganização das conexões nervosas.

Após cerca de 25 semanas concentrando o tratamento no punho direito, uma região que permanecia completamente sem sensibilidade voltou a responder aos estímulos.

O aspecto mais animador surgiu durante o acompanhamento realizado mais de dois anos depois. Mesmo sem utilizar continuamente o sistema, parte da recuperação permaneceu preservada, indicando que o organismo pode ter desenvolvido novas conexões neurais.

Implante cerebral ainda precisa de novos estudos

Embora os resultados sejam considerados bastante promissores, os próprios pesquisadores ressaltam que o implante cerebral ainda precisa passar por novos testes antes de ser utilizado em larga escala.

Até o momento, o estudo envolveu apenas um participante, o que impede conclusões definitivas sobre sua eficácia em diferentes tipos de lesão medular.

Mesmo assim, os especialistas acreditam que a tecnologia poderá beneficiar milhões de pessoas que convivem com limitações motoras causadas por danos na medula espinhal.

Segundo o professor Chad Bouton, responsável pelo projeto, a união entre recuperação dos movimentos e do tato representa um objetivo perseguido pela equipe há muitos anos. Além disso, os efeitos permanentes observados durante o acompanhamento aumentam o potencial da tecnologia para futuras aplicações clínicas.

À medida que novas pesquisas avancem, o implante cerebral poderá transformar a forma como a medicina trata pacientes com paralisia, oferecendo não apenas mais independência, mas também melhor qualidade de vida.

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