ZCash Brasil no Discord.

Meta monitorou mouse e teclado dos funcionários e usou os dados para demitir

Meta enfrenta processo nos EUA após funcionários alegarem que inteligência artificial foi utilizada para selecionar demissões durante cortes de pessoal.

Funcionários em escritório enquanto um sistema de inteligência artificial analisa dados durante processo de demissões na Meta.

A seguir:

  1. A inteligência artificial para demissões teria sido utilizada pela Meta para classificar funcionários durante uma redução de cerca de 8 mil postos de trabalho.
  2. O processo afirma que a inteligência artificial para demissões prejudicou trabalhadores em licença-maternidade, licença médica e afastamentos por deficiência.
  3. A Justiça dos EUA poderá analisar se o uso da inteligência artificial para demissões violou direitos trabalhistas e determinar uma auditoria independente.

A Meta, empresa responsável pelo Facebook, Instagram e WhatsApp, enfrenta uma nova disputa judicial nos Estados Unidos após um grupo de funcionários acusar a companhia de utilizar inteligência artificial para selecionar empregados que seriam demitidos. Segundo a ação, trabalhadores que estavam em licença-maternidade, licença médica ou que solicitaram adaptações por deficiência teriam sido desproporcionalmente afetados durante uma rodada de cortes realizada neste ano.

O processo foi protocolado na Justiça Federal do Distrito Norte da Califórnia e reúne 26 funcionários. Além de contestar a legalidade do método adotado pela empresa, os autores pedem a suspensão das demissões até que o caso seja analisado pelo tribunal.

Inteligência artificial para demissões é alvo de ação judicial contra a Meta

De acordo com a ação, a inteligência artificial para demissões teria desempenhado um papel central na escolha dos profissionais dispensados durante a redução de aproximadamente 8 mil postos de trabalho anunciada pela Meta no início de 2026.

Os funcionários afirmam que a empresa utilizou um conjunto de sistemas internos de inteligência artificial para classificar colaboradores com base em indicadores de desempenho, produtividade e monitoramento de atividades. Entre os dados considerados estariam registros de uso do computador, movimentação do mouse, histórico de navegação e outras métricas relacionadas ao ambiente corporativo.

Segundo os advogados responsáveis pela ação, os gestores não tomaram as decisões individualmente, mas utilizaram pontuações produzidas pelos sistemas automatizados para elaborar a lista de desligamentos.

Ainda conforme o documento, esse modelo teria prejudicado profissionais que permaneceram afastados por motivos protegidos pela legislação trabalhista, já que esses colaboradores naturalmente apresentavam menor volume de dados de produtividade durante o período de licença.

Processo afirma que inteligência artificial para demissões prejudicou trabalhadores em licença

Os autores da ação sustentam que a inteligência artificial para demissões acabou penalizando funcionários que exerceram direitos garantidos por lei, como licença-maternidade, licença médica e afastamentos relacionados à deficiência.

Segundo o processo, os sistemas utilizados pela Meta deixaram de considerar o contexto desses afastamentos ao calcular indicadores de desempenho. Como consequência, trabalhadores em licença receberam avaliações inferiores quando comparados a colegas que permaneceram em atividade.

Entre os casos citados está o de uma cientista que já havia iniciado uma licença aprovada antes do nascimento do filho. Conforme a ação, ela recebeu a notificação de desligamento apenas dois dias antes do parto.

Outro exemplo envolve um engenheiro que afirma ter obtido uma avaliação reduzida após precisar se afastar para tratar uma lesão. Já um gerente relatou ter sido informado sobre sua demissão apenas 16 dias após iniciar uma licença médica autorizada.

Os funcionários argumentam que essas situações demonstram um padrão de seleção incompatível com a proteção prevista pela legislação norte-americana.

Meta nega uso de inteligência artificial para decidir demissões

A Meta rebateu todas as acusações apresentadas pelos funcionários. Em comunicado enviado à imprensa, a empresa afirmou que as alegações não possuem fundamento e que as decisões relacionadas ao quadro de funcionários continuam sendo tomadas por pessoas.

Segundo a companhia, a inteligência artificial não determina quem será demitido, embora ferramentas tecnológicas possam apoiar processos internos de gestão.

A empresa também ressaltou que as decisões organizacionais seguem critérios humanos e negou que sistemas automatizados tenham substituído a avaliação de gestores responsáveis pelas equipes.

Agora, caberá ao Judiciário analisar os documentos apresentados por ambas as partes antes de definir os próximos passos da ação.

Programa de monitoramento da Meta também entrou no centro da discussão

Além das alegações envolvendo a inteligência artificial para demissões, o processo também questiona um programa interno de monitoramento lançado pela Meta no início deste ano.

Segundo os autores, a iniciativa coletava informações como digitação no teclado, movimentação do mouse, histórico de navegação, mensagens corporativas, e-mails e localização dos dispositivos utilizados pelos funcionários.

Na época do lançamento, o CEO da empresa, Mark Zuckerberg, explicou internamente que esses dados ajudariam no treinamento dos próprios modelos de inteligência artificial da companhia.

Entretantoos funcionários afirmam que o programa começou sem comunicação ampla e sem consentimento explícito da maioria das equipes. Conforme o processo, muitos empregados sequer receberam uma solicitação para aceitar ou recusar a participação no sistema.

A repercussão negativa levou mais de 1.600 funcionários a assinarem uma petição alegando violação de privacidade. Posteriormente, Zuckerberg anunciou a suspensão do programa em junho.

Funcionários pedem auditoria independente sobre inteligência artificial para demissões

Os advogados também solicitaram que a Justiça determine uma auditoria independente nos sistemas utilizados pela Meta.

Na avaliação dos autores, apenas uma investigação técnica poderá esclarecer quais critérios foram empregados durante a seleção dos funcionários dispensados e se houve impacto indevido sobre trabalhadores protegidos por licenças legais.

Além disso, os funcionários pedem que o tribunal suspenda temporariamente os desligamentos enquanto o processo segue em andamento.

Caso obtenham decisão favorável, eles buscam reintegração aos cargos, pagamento de salários retroativos, recuperação de benefícios, compensação por perdas financeiras e outros direitos previstos na legislação.

Os advogados ainda alertam que a conclusão definitiva das demissões pode gerar consequências irreversíveis, incluindo perda de assistência médica, benefícios trabalhistas, participação acionária e até impactos em processos migratórios de alguns colaboradores.

Enquanto isso, o caso amplia o debate sobre o uso da inteligência artificial para demissões, tema que ganha cada vez mais atenção de empresas, reguladores e especialistas em direito do trabalho diante da crescente adoção de sistemas automatizados na gestão de pessoas.

Avatar de Mirian Romão

Escrito por