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Os 3 maiores bancos do Japão vão lançar stablecoin conjunta em 2026

MUFG, SMBC e Mizuho planejam stablecoin conjunta em iene até fim de 2026.

Os 3 maiores bancos do Japão vão lançar stablecoin conjunta em 2026

MUFG, SMBC e Mizuho, os três maiores bancos do Japão com ativos combinados de US$ 6,8 trilhões, planejam emitir uma stablecoin conjunta atrelada ao iene até o fim do exercício fiscal de 2026.

O movimento sinaliza uma virada estrutural no setor financeiro global: bancos regulados estão substituindo emissores privados como Tether e Circle nas liquidações de alto valor.

A seguir:

  • Como o piloto aprovado pela FSA em novembro de 2025 evoluiu para um plano de emissão conjunta, e o que a Progmat tem a ver com isso
  • Por que os três bancos miraram primeiro em 300 mil empresas clientes, não em varejo, e o que isso revela sobre a estratégia
  • O cenário global: JPMorgan, SoFi e outros bancos já emitem tokens de depósito, e o Tether começa a sentir a pressão

O relatório do Nikkei que detalha o plano foi publicado em 9 de junho de 2026. Mas a base regulatória existe desde novembro de 2025, quando a Agência de Serviços Financeiros do Japão (FSA) aprovou o piloto conjunto, batizado de Payment Innovation Project (PIP).

O token vai rodar na Progmat, plataforma de ledger distribuído desenvolvida pela MUFG em parceria com a NTT Data.

Por que os três bancos estão juntos desde o início

A decisão da FSA de rodar o piloto com as três instituições simultaneamente, e não em sequência, foi uma escolha deliberada de política industrial. O regulador sinalizou preferência por um padrão compartilhado único, em vez de tokens concorrentes emitidos por cada banco separadamente.

Além disso, a estrutura tem escala imediata. A base de clientes corporativos combinada das três instituições cobre mais de 300 mil empresas. Isso significa distribuição sem o atrito regulatório do onboarding de varejo. O foco inicial são exportadores, multinacionais e instituições financeiras com transferências transfronteiriças recorrentes de alto valor.

Iene primeiro, dólar depois

A stablecoin começa atrelada ao iene japonês. Uma versão em dólar americano está prevista para mais adiante no mesmo exercício fiscal. O plano prevê emissão de até 1 trilhão de ienes (aproximadamente US$ 6,64 bilhões) nos próximos três anos.

Nesse sentido, o timing importa: o USDT segue amplamente restrito nas plataformas japonesas em 2026. O USDC tem acesso limitado via SBI VC Trade. O marco regulatório da FSA criou um vácuo que os megabancos agora preenchem com infraestrutura própria.

O movimento global: bancos regulados avançam sobre o mercado de stablecoins

O Japão não está sozinho nessa transição. Em novembro de 2025, o JPMorgan lançou o JPMD, token de depósito em dólar, diretamente na rede Base da Coinbase, segundo comunicado oficial do JPMorgan.

O token não é uma stablecoin: é um depósito bancário em forma de token, resgatável diretamente pela infraestrutura regulada do banco, disponível 24 horas por dia, com liquidação instantânea.

Já em 27 de maio de 2026, a SoFi fez o movimento mais ousado até agora no varejo. Lançou o SoFiUSD para seus 14,7 milhões de membros diretamente no app bancário, rodando em Ethereum e Solana. Foi a primeira vez que uma stablecoin emitida por um banco nacional americano chegou a um app de varejo. O token é lastreado 1:1 em dólares, com reservas auditadas mensalmente pela Deloitte.

Sendo assim, o padrão emergente é claro: bancos com balanços regulados estão emitindo tokens próprios em vez de depender de emissores terceiros como Tether (USDT) e Circle (USDC).

A pressão sobre os emissores privados e o que ainda está aberto

A diferença estrutural entre tokens bancários e stablecoins privadas está em três pontos: lastro direto em depósitos regulados, possibilidade de rendimento (os tokens de depósito podem ser remunerados, diferente das stablecoins sob o GENIUS Act americano) e supervisão regulatória de primeira linha.

Para mercados institucionais, esses atributos pesam. A questão não é se USDT e USDC vão desaparecer, mas em quais casos de uso os tokens bancários passam a ser a escolha padrão.

O que o consórcio japonês ainda precisa resolver

Por fim, a governança do token conjunto ainda não está definida. Conforme apontado pelo texto original do Nikkei, resta saber se os três bancos emitirão um único token sob uma marca comum ou operarão trilhos compartilhados que cada instituição usa de forma independente. Essa escolha vai determinar o quão replicável o modelo é para outros consórcios multi-institucionais ao redor do mundo.

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