A Lumx e a Stellar Development Foundation (SDF) anunciaram nesta terça-feira (5) o lançamento de um corredor BRL-USDC operacional na rede Stellar, voltado à liquidação de pagamentos institucionais no Brasil.
A seguir:
- Como o corredor funciona e quais instituições podem acessá-lo
- Por que o Brasil é o mercado prioritário para esse tipo de produto
- O dado do BCB que explica a demanda: US$ 6,9 bilhões em cripto para o exterior no Q1 2026
A integração já está ativa em produção desde 4 de agosto, com parceiros de liquidez comprometidos a oferecer serviços de conversão desde o primeiro dia.
O produto permite que bancos, fintechs e provedores de pagamento movimentem recursos entre reais e USDC com liquidação quase instantânea e baixo custo, combinando os trilhos do Pix com a infraestrutura da Stellar.
Como o corredor funciona
A infraestrutura da Lumx conecta os trilhos de pagamento instantâneo do Brasil, incluindo o Pix, com a rede Stellar para liquidação internacional em USDC. Uma instituição financeira que precisa enviar ou receber recursos internacionalmente pode converter reais em USDC na Stellar, aproveitar a velocidade e o baixo custo da rede para a liquidação e reconverter no destino.
O modelo resolve um problema estrutural do sistema financeiro brasileiro: remessas internacionais via sistema bancário tradicional são lentas, caras e opacas. Stablecoins já estavam sendo usadas para resolver esse problema, mas sem infraestrutura institucional formal. O corredor da Lumx na Stellar cria essa camada.
“O Brasil tem trilhos de pagamento de classe mundial e um mercado de stablecoins altamente ativo. Ao conectar nossa infraestrutura à Stellar, estamos oferecendo às instituições um corredor entre BRL e USDC pronto para operar em produção, com a liquidação quase instantânea e de baixo custo para a qual a rede Stellar foi construída, e com a conformidade e a confiabilidade que nossos clientes exigem”, afirmou Caio Barbosa, fundador e Co-CEO da Lumx.
O dado que explica a demanda
O lançamento do corredor não é especulativo. Segundo dados do Banco Central do Brasil, os brasileiros movimentaram US$ 6,9 bilhões em criptoativos para o exterior no primeiro trimestre de 2026, mais do que o dobro do registrado no mesmo período do ano anterior.
O número confirma que o mercado brasileiro já usa stablecoins em escala para remessas internacionais. O que faltava era infraestrutura institucional formal para bancos e fintechs acessarem esse fluxo com os controles de compliance exigidos pelo BCB.
“Bancos e provedores de pagamento brasileiros já liquidam volumes relevantes em stablecoins. A Lumx está transformando essa atividade em infraestrutura utilizável na Stellar: um corredor de BRL para USDC que dá a desenvolvedores e instituições acesso à liquidez global com os controles de conformidade de que eles precisam”, afirmou José Fernández da Ponte, presidente e Chief Growth Officer da Stellar Development Foundation.
Por que a Stellar e não outra rede
A escolha da Stellar como infraestrutura de liquidação não é aleatória. A rede foi projetada especificamente para pagamentos e remessas, com foco em baixo custo por transação, alta velocidade de liquidação e suporte nativo a múltiplas moedas e ativos. O USDC da Circle já tem presença relevante na Stellar e é um dos principais casos de uso da rede para pagamentos transfronteiriços.
A Lumx, fundada em 2022 e com suporte dos investidores Indicator Capital e CMT Digital, opera uma plataforma de orquestração de pagamentos que já suporta BRL, USDC e USDT. A integração com a Stellar amplia o alcance dessa infraestrutura para liquidação internacional sem depender de correspondentes bancários tradicionais.
O contexto regulatório
O lançamento chega numa semana em que o Banco Central confirmou via LAI que estuda retenção preventiva de stablecoins por até 24 horas e classificou como “não lícitas” operações cambiais de fundos para importar cripto. O corredor da Lumx na Stellar está posicionado exatamente nessa interseção: oferece infraestrutura para fluxos com stablecoins que o BCB está começando a regular formalmente.
Para as PSAVs que precisam demonstrar controles de compliance para obter autorização até outubro, ter acesso a uma infraestrutura de liquidação com camada formal de conformidade pode ser um diferencial relevante no processo.


