A Méliuz (CASH3), empresa brasileira de cashback listada na B3 anunciou, nesta segunda-feira (14/04), a convocação de uma Assembleia Geral Extraordinária para deliberar sobre a alteração de seu objeto social, com o objetivo de permitir novos investimentos em Bitcoin (BTC).
Méliuz já é a primeira empresa da B3 a alocar parte do caixa em Bitcoin. A empresa segue o exemplo da norte-americana Strategy (ex-MicroStrategy), referência global na adoção corporativa do criptoativo.
Bitcoin como reserva estratégica: nova fase para o Méliuz
No comunicado oficial, o Méliuz afirmou que concluiu com sucesso o estudo de governança necessário para a adoção do Bitcoin como parte da estratégia de negócios. Batizada de “Estratégia”, a nova diretriz visa tornar o BTC o principal ativo de reserva da empresa, com a promessa de ampliar sua posição ao longo do tempo.
Além de preservar valor em um ativo escasso e descentralizado, a nova abordagem visa gerar retorno incremental aos acionistas por meio da valorização do BTC, do caixa operacional e de outras iniciativas financeiras relacionadas à criptoeconomia.
Contudo, a mudança não impactará o modelo de negócios da empresa, que continuará focado na oferta de serviços de cashback. Pelo contrário: a geração de caixa nas operações será fundamental para sustentar a compra progressiva de Bitcoin, de acordo com o documento enviado aos acionistas.
Méliuz já possui Bitcoin em caixa
Em março, o Méliuz anunciou a compra de 45,72 BTC por US$ 4,1 milhões, a um preço médio de US$ 90.296 por unidade. Apesar da desvalorização pontual do ativo, a empresa reforçou que a iniciativa é parte de um movimento global de adoção institucional do Bitcoin.
Segundo Israel Salmen, presidente do conselho e fundador da empresa, a estratégia busca fortalecer a saúde financeira da Méliuz e posicioná-la como pioneira na transformação financeira impulsionada por ativos digitais.
Valorização das ações e influência da Strategy no mercado
A aposta no Bitcoin já surtiu efeito imediato. No dia do anúncio da primeira aquisição, as ações da empresa dispararam 20%, e voltaram a subir após a divulgação do novo memorando, acumulando valorização de 45,1% em 2025 até o momento.
O movimento ecoa a trajetória da Strategy, liderada por Michael Saylor. Desde 2020, a empresa acumula mais de 531.644 BTC e se consolidou como a maior detentora corporativa de Bitcoin do mundo, com uma capitalização de mercado que saltou de US$ 500 milhões para mais de US$ 83 bilhões.
Caminho aberto para o investimento institucional em criptomoedas
A iniciativa do Méliuz pode abrir precedentes importantes para a adoção institucional do Bitcoin no Brasil, especialmente entre empresas listadas na B3. A estratégia oferece proteção contra a inflação, diversificação de ativos e potencial de valorização a longo prazo. Aspectos cada vez mais valorizados em contextos macroeconômicos voláteis.
Com o BTC ganhando espaço como reserva de valor no mercado corporativo, Méliuz busca não apenas acompanhar essa tendência, mas liderar a transformação digital no setor financeiro brasileiro.


