Depois de investir mais de R$ 23 milhões em uma reserva de Bitcoin (BTC), a Méliuz, empresa brasileira de cashback, agora busca desencadear uma onda de adoção institucional da principal criptomoeda no Brasil.
Foi o que revelou Israel Salmen, fundador e presidente do Conselho de Administração da Méliuz, em entrevista ao EXAME.
Méliuz adota estratégia de longo prazo no Bitcoin
Salmen e Marcio Loures Penna, diretor de Relações com Investidores da primeira empresa listada na Bolsa de Valores brasileira a adotar Bitcoin, explicaram que a valorização das ações não é o objetivo principal da iniciativa, embora seja bem-vinda caso ocorra.
A estratégia da Méliuz está focada no longo prazo, com uma alocação limitada a 10% das reservas da empresa.
“A gente não tem preço-alvo. O foco está no longo prazo. A gente comprou para ter e carregar, e aí o preço acaba sendo um detalhe”, explicou Salmen.
O CEO acrescentou que a alocação de 10% indica que a empresa quer correr o risco de investir em Bitcoin, mas em um montante que não gere impacto significativo no curto prazo.
Relação com o Bitcoin desde 2021
A relação da Méliuz com o Bitcoin começou em 2021, quando a empresa adquiriu a Alter, permitindo que alguns clientes recebessem cashback em Bitcoin. Agora, a empresa pretende expandir as funcionalidades relacionadas a criptomoedas para toda a sua base de usuários.
“A gente tem um dever moral a partir de agora de continuar melhorando esses produtos relacionados ao Bitcoin no nosso ecossistema. Queremos expandir funcionalidades com criptomoedas para toda a base”, afirmou Salmen.
Decisão foi baseada em estudos e contexto favorável
Penna explicou que a empresa encerrou 2024 com cerca de R$ 600 milhões em caixa, o que gerou discussões sobre a destinação do valor.
Dessa forma, após retornar parte aos acionistas via debêntures, a empresa decidiu aplicar uma parcela em Bitcoin.
Dois fatores principais influenciaram a decisão: a vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais americanas de 2024, que segundo Salmen fez “todo mundo começar a enxergar o valor do ativo”, e o sucesso de empresas que adotaram estratégias semelhantes, como a Strategy e a japonesa Metaplanet, que viu suas ações valorizarem 4.800% desde então.
Aquisição direta de Bitcoin, sem emissão de dívida
Diferente de outras empresas, a Méliuz optou por fazer aquisições diretas de Bitcoin, sem utilizar ETFs ou emitir dívida. Penna ressaltou que a empresa “não quer ser uma trader, vendendo e tentando ganhar dinheiro com valorização e desvalorização do Bitcoin”.
“Esperamos ser um precursor aqui no Brasil, levantar a bandeira que todo mundo vai ter uma alocação por acreditar na moeda”, disse o diretor de Relações com Investidores.
Salmen, que conhece Bitcoin há mais de dez anos e mantém a maior parte de sua liquidez pessoal na criptomoeda, classificou o ativo como uma “versão melhorada do ouro”.
Por fim, se colocou à disposição para conversar com outras empresas interessadas em estudar o tema.


