Pela primeira vez na história, um satélite em órbita usou inteligência artificial embarcada para decidir, sozinho, onde e quando capturar uma imagem científica. O feito, realizado em menos de 90 segundos, marca um avanço radical na autonomia espacial.
Com isso, a NASA, participante dos testes, está empolgada com o potencial do satélite com IA — chamado Dynamic Targeting — para transformar a forma como observamos a Terra e fenômenos naturais.
Como funciona a inteligência artificial do Dynamic Targeting?
A tecnologia desenvolvida ao longo de 10 anos pelo Jet Propulsion Laboratory (JPL) da NASA permite que o satélite:
- Analise o que está à frente de sua órbita
- Detecte nuvens ou obstáculos
- Decida se vale a pena capturar a imagem
- Ajuste sua posição e registre o cenário — ou cancele a operação
Além disso, tudo acontece sem qualquer intervenção humana, enquanto o satélite viaja a 27 mil km/h.
Steve Chien, líder do projeto na NASA, resume bem a ambição:
“Queremos que o satélite pense como um humano. Que veja os dados, entenda o que significam e reaja.”
Com isso, os satélites deixam de ser câmeras passivas e passam a ser observadores ativos, capazes de priorizar o que importa.
Teste real de IA: CogniSAT-6 em ação
O teste realizado com o satélite CogniSAT-6, do tamanho de uma maleta. Lançado em março de 2024 pela startup britânica Open Cosmos, com um processador de IA desenvolvido pela empresa irlandesa Ubotica.
Além disso, durante o experimento o satélite inclinou-se para escanear 500 km à frente e capturou uma imagem preliminar. Com isso, a IA analisava a presença de nuvens e se o céu estivesse limpo, ele voltava e tirava a foto detalhada, igualmente, se houvesse nuvens, pulava o registro, assim economizando tempo e energia.
Dessa forma, satélites tradicionais capturam tudo o que está abaixo, mesmo que seja cobertura de nuvens inútil. Sendo assim, existe desperdício de armazenamento, banda de transmissão e tempo de processamento.
Segundo a NASA, até dois terços das imagens captadas são inutilizadas por causa das nuvens. Portanto, a IA embarcada aumenta drasticamente a eficiência científica.
Plano de defesa global: detectar desastres em tempo real com IA
A NASA planeja expandir o uso da tecnologia para:
- Identificar incêndios florestais
- Detectar erupções vulcânicas
- Monitorar tempestades severas
- Rastrear anomalias térmicas
Assim, o sistema poderá ser integrado a uma rede de satélites inteligentes, onde um detecta o evento e outros seguem com observações detalhadas.
Impacto global e aplicações futuras do satélite com IA
Além da observação da Terra, a IA embarcada pode ser usada em:
- Missões interplanetárias
- Monitoramento climático
- Agricultura de precisão
- Defesa e segurança
Aliás, testes semelhantes já foram feitos na Estação Espacial Internacional e até na missão Rosetta, da ESA, para detectar plumas de cometas.
Por fim, o sucesso do Dynamic Targeting mostra que a inteligência artificial pode revolucionar a exploração espacial. Isso também abre caminho para satélites mais rápidos, eficientes e autônomos — capazes de tomar decisões em tempo real, sem depender da Terra.
Portanto, a era dos satélites pensantes já começou. E a NASA está mais do que animada com o que vem pela frente.


