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Quais países sofreriam mais com uma paralisação global dos combustíveis? 

O relatório analisou 75 nações sob o prisma da autossuficiência e diversificação da matriz. Quanto maior a pontuação, maior o risco de “apagão” econômico.

Quais países sofreriam mais com uma paralisação global dos combustíveis? 

A guerra que une Estados Unidos e Israel contra o Irã já causou uma severa disrupção nos preços de combustíveis no mundo todo.  Diante deste cenário, a plataforma de informações sobre uso de energia Energy World  Mag  elaborou um estudo sobre os países que estão mais vulneráveis a uma crise do petróleo.    

Foram analisadas 75 nações em torno de sete diferentes critérios para determinar quais países sofreriam mais. Entre esses fatores está a forma como cada país distribui sua geração de energia em diferentes fontes de combustível, em vez de depender de uma única matriz.  

O relatório também analisou os índices de autossuficiência energética, que compara a produção interna de combustível com as importações.  

Como resultado, o estudo chegou a um ranking com índices que vão de zero a 100 no qual valores mais elevados indicam maior risco, ao passo que os menores revelam menor impacto.  

Os dois mais vulneráveis 

No topo da lista está a cidade-estado de Singapura, com um nível de vulnerabilidade avaliado em 85,2 pontos. Segundo o estudo, perto de 98% da energia da região vem de combustíveis fósseis.    

Além disso, Singapura importa 100% do seu gás natural, com as importações de energia superando a produção interna em 243%.  

Na segunda posição está o Turcomenistão, que, apesar de ser um grande produtor e exportador de energia, apresenta um risco elevado por depender exclusivamente de combustíveis fósseis em sua matriz energética.    

A ausência de fontes alternativas, como solar, eólica ou hidrelétrica, aumenta a vulnerabilidade em cenários de instabilidade global. Além disso, o nível de renda mais baixo da população reduz a capacidade de absorver aumentos abruptos nos preços de energia. 

Completando o top 5 

O terceiro lugar é ocupado por Hong Kong, um dos mercados mais dependentes de importação de energia no mundo. A região importa cerca de 176% mais energia do que produz e obtém quase 90% de sua eletricidade a partir de combustíveis fósseis.  

Assim como Singapura, também depende integralmente de gás natural vindo do exterior, o que amplia a exposição a interrupções no fornecimento e aumentos de preços. 

Na quarta colocação aparece Marrocos, considerado o país mais vulnerável do Norte da África a choques energéticos. Aproximadamente 90% de sua matriz é baseada em combustíveis fósseis, enquanto a produção doméstica cobre apenas uma pequena parcela da demanda.  

O país importa cerca de 94% da energia que consome e depende do exterior para praticamente todo o seu gás natural. A renda média mais baixa da população também dificulta a adaptação a eventuais altas de preços. 

Fechando o top 5 está Belarus, que enfrenta riscos relevantes mesmo estando próximo de grandes produtores de energia. Cerca de 87% da eletricidade do país vem de fontes fósseis, e aproximadamente 77% da energia consumida é importada.  

A dependência de gás natural estrangeiro é ainda maior, chegando a 95%, o que já gerou vulnerabilidades em momentos recentes de tensão geopolítica. A capacidade limitada de absorver choques de preços de combustíveis também contribui para a posição no ranking.  

O problema da dependência 

Um analista da World Energy Mag destacou que crises recentes mostram como até economias desenvolvidas podem sofrer com a dependência de energia importada. 

Segundo ele, episódios como a crise energética europeia de 2022 evidenciaram que países com pouca produção doméstica – como Singapura e Hong Kong – têm ainda menos margem de manobra em situações de escassez, já que não conseguem substituir rapidamente importações por produção interna.

Assim, uma das lições do atual conflito no Oriente Médio é a necessidade de se criar um bom abastecimento doméstico de combustíveis. A soberania nesse setor é importante para que o país não dependa tanto de importações para garantir o funcionamento da economia.