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Pix colocou o Brasil na frente na corrida por ativos digitais

Pesquisa da Fireblocks com 638 executivos globais mostra que América Latina lidera em ambição por infraestrutura de ativos digitais. O gargalo está dentro das próprias instituições.

Pix colocou o Brasil na frente na corrida por ativos digitais

Pesquisa com mais de 600 executivos globais mostra que a América Latina lidera o mundo em ambição por infraestrutura financeira digital. O obstáculo número um não é regulação são as próprias estruturas internas dos bancos.

A seguir:

  • Por que o Pix e o SPEI mudaram o ponto de partida da América Latina na corrida por ativos digitais
  • Os números que colocam a região no topo global e o que ainda trava a execução
  • O que o estudo da Fireblocks revela sobre a distância entre orçamento aprovado e produção real

Quando o Banco Central lançou o Pix em novembro de 2020, a narrativa dominante era de modernização dos pagamentos. Quatro anos depois, a leitura mudou. O Pix não foi só uma atualização de pagamentos, foi a construção de uma trilha. E agora as instituições financeiras brasileiras querem colocar ativos digitais sobre ela.

Essa é uma das leituras centrais do The Financial Grid: Banking, Digital Assets, And The Infrastructure Decisions Defining 2026, relatório publicado pela Fireblocks, plataforma que assegura atualmente mais de US$4 trilhões em transferências de ativos digitais por ano.

A pesquisa primária foi conduzida em janeiro de 2026, com 638 tomadores de decisão em instituições financeiras e corporações da América do Norte, Europa, América Latina, Ásia-Pacífico, Oriente Médio e África.

A América Latina não parte do zero e isso importa

O argumento da Fireblocks para a região é simples: o Brasil e o México não estão integrando ativos digitais ao sistema financeiro partindo de uma infraestrutura obsoleta. Eles estão expandindo trilhos que já funcionam em escala. O Pix processa hoje mais de 5 bilhões de transações por mês. O SPEI, equivalente mexicano, opera em padrão similar.

Essa base existente cria um ponto de partida diferente do observado em outras regiões e ajuda a explicar por que 69% das instituições da América Latina apontam a transformação da infraestrutura financeira como um dos principais direcionadores estratégicos de 2026. É o maior índice global registrado pela pesquisa.

Pagamentos em tempo real: ponto de partida, não de chegada

Os dados sobre prioridades deixam claro que as instituições já passaram dessa etapa. 92% das instituições latino-americanas classificam liquidação em tempo real e pagamentos 24/7 como centrais ou altamente relevantes, mas esse não é mais o horizonte. É o piso.

O foco agora se desloca para os corredores internacionais. 83% das instituições colocam pagamentos transfronteiriços e câmbio como prioridade. Mais revelador ainda: 61% consideram essencial o suporte de infraestruturas de mercado financeiro para emissão de ativos digitais, o maior percentual entre todas as regiões analisadas.

Não se trata apenas de movimentar valor, mas de emitir instrumentos financeiros digitais sobre essa infraestrutura.

Em um contexto global onde 88% das instituições financeiras já comprometeram ou vão comprometer orçamento para infraestrutura de ativos digitais em 2026, com apenas 11% adiando para 2027, a América Latina entra nessa disputa com uma vantagem técnica real: a trilha de pagamentos instantâneos já provada em escala.

O gargalo que ninguém esperava encontrar dentro de casa

A surpresa do relatório está em onde o obstáculo se localiza. 93% das instituições latino-americanas avaliam que a regulação em desenvolvimento será favorável ou muito favorável ao mercado de ativos digitais. O ambiente externo, portanto, saiu da lista de preocupações principais.

O problema está dentro das próprias organizações. Estruturas internas de governança aparecem como obstáculo relevante para 47% das instituições da região, o maior percentual global e 11 pontos percentuais acima da média mundial.

Na sequência aparecem maturidade operacional (39%) e processos de aprovação ligados a risco e compliance (38%).

O quadro é paradoxal, mas coerente: o gargalo não é dinheiro, são as decisões de infraestrutura que a maioria das instituições ainda não resolveu. Orçamento aprovado, estratégia definida, regulação favorável, e o que trava é a velocidade dos processos internos de aprovação e execução.

Globalmente, apenas 16% das instituições financeiras chegaram efetivamente à produção, apesar do volume de comprometimento orçamentário. A América Latina reflete essa tensão, com o agravante de que a ambição regional é das mais altas do mundo.

O que vem a seguir

A leitura da Fireblocks sobre o próximo passo da região não é de dúvida, mas de velocidade. A ambição para emissão de ativos digitais é hoje a maior entre todas as regiões analisadas.

A infraestrutura de pagamentos já existe e opera em escala. A integração entre blockchain e sistema financeiro tradicional deixou de ser hipótese.

O que ainda está em aberto é o ritmo. E esse ritmo vai depender menos de reguladores ou de mercado, e mais da capacidade de cada instituição de mover sua própria burocracia interna na direção certa.

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