Nos últimos dois anos, os NFTs saíram dos holofotes do hype global para um momento de introspecção e reavaliação. Em 2021 e 2022, obras digitais vendidas por valores milionários, comunidades engajadas e promessas de revolução na arte, moda e jogos dominavam o noticiário.
Mas em 2025, a pergunta que se impõe é: afinal, o mercado de NFTs morreu?
Mercado de NFTs enfrenta queda acentuada: É o fim?
Os dados são contundentes. O volume de transações com NFTs caiu de US$ 1,36 bilhão em dezembro de 2024 para US$ 498 milhões em fevereiro de 2025, uma retração de mais de 60%, de acordo com dados do dAppRadar.
Já o número de transações também diminuiu consideravelmente: de 4,1 milhões em agosto de 2024 para 2,7 milhões em fevereiro de 2025.
Além disso, em março de 2025, o total de vendas foi de apenas US$ 373 milhões, uma queda de 76% em relação a março do ano anterior, apontam dados do CryptoSlam.
No entanto, apesar da retração geral, algumas coleções conseguiram crescer no período:
- A Pudgy Penguins teve um aumento de 13% nas vendas no primeiro trimestre de 2025, movimentando US$ 72 milhões;
- Os Doodles também cresceram: passaram de US$ 22,6 milhões para US$ 32 milhões em vendas;
- A coleção Milady Maker registrou um crescimento expressivo de 58% no mesmo intervalo.
No ecossistema dos Ordinals (NFTs na blockchain do Bitcoin), o volume caiu 79% no primeiro trimestre, mas o preço médio subiu de US$ 559 para US$ 633, sugerindo um mercado menos especulativo e mais focado em valor percebido.
Recuo institucional e desafios
A retração também se reflete em decisões corporativas, com casas de leilão como Christie’s e Pace diminuindo sua atuação no setor, citando a baixa adesão do mercado tradicional. Iniciativas promissoras como a RTFKT, comprada pela Nike, encerraram atividades, mesmo após movimentarem mais de US$ 185 milhões.
Já projetos licenciados com grandes eventos, como os NFTs do Australian Open, perderam até 90% de seu valor de mercado, apontando para uma falta de sustentação a longo prazo.
Contudo, esse movimento, embora impactante e até assustador à primeira vista, não decreta o fim dos tokens não fungíveis.
Um mercado mais maduro?
Ao invés do fim dos NFTs, vemos hoje um mercado em metamorfose. Veja bem, se por um lado a diminuição do volume e do número de transações indica que o interesse especulativo perdeu força, por outro lado, a permanência de algumas coleções e o aumento no preço médio dos NFTs de Bitcoin sugerem uma busca por qualidade e utilidade.
E isso é ótimo a longo prazo.
Hoje, as iniciativas que resistiram e que estão surgindo no mercado de NFTs revelam produtos mais maduros, com propostas mais sólidas de valor, foco em utilidade real, e integração com ecossistemas mais amplos, como jogos, programas de fidelidade, identidade digital e propriedade intelectual.
Esse movimento sinaliza uma transição do hype para a consolidação — um ciclo comum em mercados emergentes impulsionados por novas tecnologias. É algo que já passamos com o Bitcoin, a principal criptomoeda do mercado, hoje adotada por grandes instituições e até governos ao redor do mundo.
Afinal, qual o futuro dos NFTs?
Com o fim do frenesi especulativo, o mercado de NFTs começa a encontrar seu verdadeiro propósito. A euforia deu lugar à construção. Em vez de promessas vazias de enriquecimento rápido, surgem projetos que buscam resolver problemas reais ou criar novas formas de relacionamento entre marcas, criadores e comunidades.
Uma das iniciativas com este objetivo é a BlinkPlanet, marketplace de ativos digitais dedicado à valorização de talentos criativos na Web3. Em entrevista ao TechCripto, Henrique Belumat, Growth Lead da BlinkPlanet, declarou:
“Eu tenho certeza que a era dos NFTs não acabou, mas também tenho certeza que explicar NFT, além de difícil, não é útil.”
Para Belumat, alcançar a adoção em massa dos NFTs necessita que abordemos o tema de maneira mais prática e direta:
“A gente precisa começar a chamar as NFTs do que elas realmente são, ou do motivo pelo qual elas foram criadas; do real uso que elas têm”, afirma.
A ideia é que um NFT criado para dar acesso a um evento, por exemplo, seja simplesmente chamado de “ingresso”. Para acessar uma comunidade ou grupo exclusivo, seria um “acesso”, explica o Growth Lead.
“O primeiro passo para que as NFTs passem a fazer parte da nossa vida, é não precisar mais se explicar. O significado deve estar claro”, conclui.
Ponte entre Web2 e Web3
Quando questionado sobre o futuro dos NFTs, Belumat ressalta que esse é o momento para que eles se tornem aquilo que prometeram no passado: marcas, produtos físicos e experiências do mundo real.
Dessa forma, a BlinkPlanet foi criada para fazer a ponte entre dois mundos, conectando corporações da Web2 com os criadores da Web3.
“A gente entende que a Web2 tem uma audiência muito grande e uma audiência que se beneficiaria muito da tecnologia da Web3 se ela fosse mais acessível, e o nosso objetivo na BlinkPlanet é atuar como essa ponte”, afirma Belumat, ao convocar os criadores da nova era digital. “A gente tem um estúdio, especialistas tanto em tecnologia quanto em construção de NFT e até em arte. E a gente está disposto a ajudar.”
Assista a entrevista completa:
Portanto, não, o mercado de NFTs não morreu. Ele está mudando, amadurecendo. E ainda tem muita história para fazer.


