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Segurança do Bitcoin pode ruir com computação quântica

Descubra como a computação quântica pode afetar o Bitcoin, os riscos à sua segurança e as soluções em desenvolvimento para proteger a blockchain.

Segurança do Bitcoin pode ruir com computação quântica

Por Fabio Seixas*

A computação quântica desponta como uma das maiores revoluções tecnológicas do século, com potencial para impactar profundamente setores como a medicina, a inteligência artificial e, especialmente, a segurança digital.

Para o ecossistema das criptomoedas, essa transformação carrega um risco alarmante: a possibilidade de que a criptografia atual, baseada em curvas elípticas, se torne obsoleta diante de computadores capazes de resolver em segundos cálculos que hoje exigiriam milhares de anos.

Em outras palavras, a promessa de um futuro quântico coloca em xeque a integridade de ativos digitais que movimentam bilhões de dólares diariamente.

A real ameaça está no algoritmo de Shor, que, ao ser executado em um computador quântico suficientemente poderoso, pode quebrar a criptografia usada pelo Bitcoin.

Segundo um estudo publicado pela MIT Technology Review (2022), seriam necessários aproximadamente 20 milhões de qubits lógicos para rodar o algoritmo de Shor de forma eficiente contra a rede do Bitcoin.

Já uma pesquisa liderada por investigadores da Universidade de Sussex, no Reino Unido (2023), aponta que a quebra da segurança da blockchain exigiria algo entre 13 milhões e 300 milhões de qubits físicos, dependendo da taxa de erro da máquina.

Embora esses números ainda estejam muito além da capacidade atual — o chip Condor da IBM, por exemplo, possui 1.121 qubits físicos — o ritmo de desenvolvimento indica que a ameaça não pode ser ignorada.

Enquanto isso, setores estratégicos como o financeiro já se antecipam: um relatório da Deloitte (2023) revela que 50% dos bancos centrais ao redor do mundo estão investigando os riscos associados à criptografia quântica.

O desafio é que não basta reconhecer o problema, é preciso transformar a arquitetura do Bitcoin antes que a urgência bata à porta.

A proposta do BIP-360, por exemplo, traz uma resposta concreta: o uso de assinaturas pós-quânticas, que se baseiam em algoritmos como SPHINCS+ e CRYSTALS-Dilithium, selecionados em 2022 pelo National Institute of Standards and Technology (NIST) como parte de seu esforço global para padronizar criptografias resistentes à computação quântica.

Embora tecnicamente promissoras, essas soluções ainda exigem amplo consenso dentro da rede e uma implementação cuidadosa para evitar falhas de compatibilidade ou performance.

Nesse contexto, a descentralização que caracteriza o Bitcoin, embora seja sua maior força, pode dificultar uma resposta ágil ao desafio que se forma no horizonte.

Computação quântica ameaça e transforma a segurança do Bitcoin

É por isso que a computação quântica deve ser encarada não só como um desafio técnico, mas como uma prova de maturidade para o Bitcoin e para a cultura cripto como um todo.

O momento de agir é agora, enquanto a ameaça ainda é projetada no futuro e não quando ela se tornar presente demais para ser evitada. Se governos e corporações já se reorganizam para o cenário pós-quântico, como Google e Huawei, que investem ativamente em comunicações seguras baseadas em criptografia resistente, a criptoeconomia precisa sair da defensiva.

A resiliência que garantiu sua sobrevivência até aqui só continuará sendo uma virtude se estiver aliada à capacidade de adaptação.

O Bitcoin sempre se destacou por sua resiliência e capacidade de adaptação. Para garantir sua sobrevivência na era quântica, a rede precisa se antecipar às ameaças e adotar medidas de segurança robustas.

A implementação de assinaturas pós-quânticas e novas formas de criptografia deve ser tratada com urgência, garantindo que a criptomoeda continue sendo um ativo confiável e seguro em um cenário tecnológico em constante evolução.

*Com mais de 25 anos de experiência em tecnologia e negócios digitais, Fabio Seixas é empreendedor, mentor e especialista em desenvolvimento de software. Fundador e CEO da Softo, uma software house que introduziu o conceito de DevTeam as a Service, Fabio já criou e dirigiu oito empresas de internet e mentorou mais de 20 outras. Sua trajetória inclui expertise em modelos de negócios digitais, growth hacking, infraestrutura em nuvem, marketing e publicidade online.

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