Uma professora aposentada de Recife acabou sequestrada em março de 2025 e mantida em cativeiro por mais de 12 horas. A vítima só foi libertada após o pagamento de cinco bitcoins, equivalentes a R$ 3,3 milhões, feito por seu filho, gestor de criptomoedas residente em Portugal.
A Polícia Civil de Pernambuco prendeu quatro suspeitos envolvidos no crime, incluindo duas mulheres que teriam recebido parte do resgate em criptoativos.
Além disso, o caso revela um novo tipo de extorsão que vem crescendo no Brasil: o sequestro com exigência de pagamento em moedas digitais.
Dinâmica do sequestro e perfil dos criminosos
O sequestro ocorreu no bairro da Imbiribeira, zona sul do Recife, quando a professora deixava o Fórum Desembargador Benildes de Souza Ribeiro. Os criminosos a seguiram até o Juizado Especial e a abordaram logo após sua saída.
Dessa forma, levada para um cativeiro em Olinda, permaneceu sob ameaça de arma de fogo por mais de 12 horas.
Segundo o delegado Jorge Pinto, os sequestradores monitoraram as redes sociais do filho da vítima, acreditando que ele possuía grande volume financeiro. Como resultado, identificaram os locais frequentados pela professora e planejaram a abordagem. Inclusive, o uso de um carro com placa clonada dificultou a identificação imediata dos autores.
Pagamento em Bitcoin e liberação
O filho da vítima esteve obrigado a transferir cinco bitcoins para os sequestradores. Isso levou à liberação da professora nas imediações do bairro Ouro Preto, em Olinda.
Em consequência, a Polícia Civil iniciou uma investigação detalhada com apoio do Cyberlab e do Ministério da Justiça, rastreando as transações em criptoativos.
Prisão dos suspeitos e desdobramentos da investigação
A operação “Silêncio Digital” resultou na prisão de quatro suspeitos em diferentes cidades. Dois ficaram detidos em Olinda e Abreu e Lima, em Pernambuco, e outros dois em Extremoz, no Rio Grande do Norte.
Entre os presos estão duas mulheres que teriam recebido parte do resgate em criptomoedas, dificultando o rastreamento dos valores.
Detalhes da operação policial
- Foram cumpridos quatro mandados de prisão temporária.
- Quatro mandados de busca domiciliar também executados.
- Celulares e roupas usadas no crime apreendidos.
- Os suspeitos responderão por extorsão mediante sequestro, associação criminosa e lavagem de dinheiro.
Impacto no setor de criptomoedas
Devido à popularização dos criptoativos, casos como esse têm se tornado mais frequentes. Segundo dados compilados por Jameson Lopp, esse é o sexto ataque físico contra investidores de criptomoedas no Brasil.
Portanto, o país já figura entre os mais perigosos do mundo para quem atua nesse mercado.
O caso da professora aposentada expõe uma vulnerabilidade crescente: o uso de criptomoedas como meio de extorsão. Além disso, esses crimes são conhecidos como “wrench attacks”, envolvem violência física para forçar transferências digitais.
Assim como em outros países, o Brasil enfrenta uma onda de sequestros voltados para investidores e influenciadores do setor.
Recomendações para investidores
Especialistas recomendam manter perfis discretos nas redes sociais e evitar divulgar ganhos com criptoativos. Além disso, o uso de carteiras de hardware e sistemas de autenticação avançados pode reduzir riscos digitais. No entanto, convém que a segurança física também seja considerada prioritária.


