Famosa por ser a primeira empresa do gênero no mundo, a fabricante de softwares Strategy, do maximalista do BTC Michael Saylor, já está caindo 17% desde o início de 2026.
A Twenty One Capital, por sua vez, recua 26% no mesmo período. Completando o top 3 de empresas com maiores quantidades de Bitcoin está a mineradora Marathon Digital Holdings (MARA), cujos papéis caem 10,7% no ano.
O recuo marca um revés perigoso na estratégia dessas empresas, que funcionam como uma versão alavancada do Bitcoin na bolsa. Elas emitem dívida para comprar a criptomoeda e, com isso, podem entregar retornos maiores do que o do próprio BTC.
A Strategy, por exemplo, disparou impressionantes 3.925% de 11 de agosto de 2020, quando fez sua primeira compra de Bitcoin, até sua máxima histórica em novembro de 2024. No mesmo período, o BTC subiu 732%.
Risco das Tesourarias de Bitcoin
Conforme dito em entrevistas, o CEO da corretora de criptomoedas argentina Ripio, Sebastián Serrano, considera que um bear market especialmente rigoroso para o Bitcoin pode forçar essas tesourarias de Bitcoin a vender suas participações.
Isso porque a estratégia de endividamento para adquirir bitcoins significa que a empresa precisa que a criptomoeda se valorize para poder pagar sua dívida. Afinal, companhias como a Strategy vendem títulos de dívida conversíveis em ações para financiar suas compras de Bitcoin.
Ou seja, se o preço do Bitcoin sobe, as ações da empresa tendem a subir junto, incentivando os credores a converter a dívida em participação acionária, o que reduz a necessidade de pagamento em caixa.
Por outro lado, se o Bitcoin cai ou fica estagnado, essa conversão não acontece, e a empresa continua obrigada a quitar a dívida em dinheiro. O problema é que muitas vezes isso ocorre sem que a geração de caixa pela operação da empresa fora da tesouraria cripto seja suficiente, o que pode levá-la a vender seus bitcoins em momentos desfavoráveis.
Em um caso extremo, isso pode levar a uma bola de neve na qual as tesourarias de Bitcoin vendem tokens para pagar suas dívidas e isso derruba ainda mais o preço da criptomoeda, pois essas companhias são investidores institucionais muito grandes e com muito peso no mercado.
Uma concretização deste cenário, com bilhões de dólares em Bitcoin sendo despejados no mercado de uma vez, poderia retroalimentar um movimento de baixa, derrubando muito o preço da moeda digital.
Saylor reforça que não vai vender
Para tranquilizar quem já está pensando em um cenário apocalíptico, Saylor disse em fevereiro que são infundadas as preocupações de que a Strategy terá que vender os seus bitcoins devido à queda de preços.

“Nossa relação líquida de alavancagem é metade da típica empresa com classificação de grau de investimento”, disse Saylor à CNBC. “Temos 50 anos de dividendos em bitcoin, temos dois anos e meio de dividendos apenas em caixa no nosso balanço … não vamos vender, vamos comprar bitcoin. Espero que compremos bitcoin a cada trimestre para sempre.”
Em verdade, a Strategy sobreviveu ao bear market do Bitcoin em 2022, mas essa série de outras tesourarias de Bitcoin ainda não. Será um teste para o modelo de negócios, que se tornou bastante popular em 2025.
No Brasil
Aqui no Brasil, há duas tesourarias de Bitcoin com ações negociadas na B3: a OranjeBTC e o Méliuz.
As ações das duas caem respectivamente 31% e 9% no ano de 2026. O Méliuz, que tem como operação principal a administração de um programa de cashback, divulgou recentemente que teve um prejuízo de R$ 32,9 milhões no quarto trimestre de 2025.
O resultado foi impactado diretamente pela desvalorização do BTC. O cenário para as tesourarias de Bitcoin nacionais, portanto, parece ainda mais desafiador.


