A seguir:
- Um token falso que se passa pelo FBI circula na rede Tron exigindo dados pessoais de investidores de criptomoedas sob ameaça de bloqueio de ativos.
- O Escritório do FBI em Nova York confirmou que não tem relação com o token e orientou usuários a não fornecerem nenhuma informação aos sites vinculados ao golpe.
- O token já havia chegado a 728 carteiras digitais, várias com mais de US$ 1 milhão em criptomoedas, evidenciando que criminosos miraram investidores de alto patrimônio.
O mercado de criptomoedas voltou a ser alvo de golpistas sofisticados. O FBI alertou, na quinta-feira (19), sobre uma nova ameaça circulando diretamente na rede Tron: um token fraudulento que se passa pela agência federal americana para enganar investidores e roubar seus ativos digitais.
A descoberta acende um sinal de alerta importante para qualquer pessoa que opera com criptomoedas, especialmente aquelas que mantêm saldos expressivos em carteiras da rede Tron.
Como o golpe com token falso do FBI funciona na prática
O esquema é engenhoso e explora o medo como principal ferramenta de manipulação. Usuários da rede Tron recebem o token em suas carteiras sem nenhuma solicitação prévia.
A partir daí, uma mensagem aparece visível em exploradores de blockchain afirmando que a carteira do destinatário está sob investigação federal.
Para pressionar ainda mais as vítimas, o token alega que um “bloqueio total dos ativos” pode ocorrer caso o usuário não forneça imediatamente suas informações pessoais em um formulário online.
O site para o qual as vítimas são redirecionadas reforça essa urgência, citando supostas “sanções atuais” que poderiam ser evitadas com a suposta regularização junto às regras de combate à lavagem de dinheiro.
Esse gatilho emocional é exatamente o que outros golpes de criptomoedas já utilizaram com sucesso e torna o ataque especialmente perigoso.
FBI de Nova York emite alerta oficial sobre criptomoedas na rede Tron
O Escritório de Campo do FBI em Nova York foi direto ao ponto em publicação oficial no X: a agência não está por trás desse token e não tem nenhuma relação com ele. A orientação é clara, nenhuma informação de identificação deve ser fornecida a qualquer site vinculado ao token falso.
Conforme levantamento no Tronscan, o token em questão foi criado há apenas oito dias e, no momento da descoberta, já havia chegado a 728 carteiras digitais. Diversas dessas carteiras acumulavam mais de US$ 1 milhão em USDT, o que indica que os criminosos miraram deliberadamente em investidores com patrimônio relevante em criptomoedas.
Por que a rede Tron é o alvo preferido dos golpistas de criptomoedas
Não é coincidência que esse esquema tenha surgido justamente na rede Tron. Ao longo dos anos, a blockchain fundada por Justin Sun acumulou uma reputação negativa por seu uso frequente entre agentes ilícitos.
Em relatório divulgado em janeiro, a empresa de inteligência TRM apontou a Tron como ferramenta comum para evasão de sanções no Irã.
Além disso, Justin Sun chegou a um acordo de US$ 10 milhões com a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC) neste mês, para resolver uma ação judicial de 2023 que o acusava de fraude e venda de títulos não registrados.
Portanto, a escolha da Tron pelos golpistas não é aleatória, ela explora justamente a desconfiança que parte dos usuários já sente sobre seus próprios ativos na rede.
Em 2024, uma coalizão formada pela emissora de stablecoins Tether, pela TRM e pela própria Tron anunciou o congelamento de mais de US$ 100 milhões em ativos ligados a atividades criminosas. A iniciativa demonstra que a rede está ciente do problema, mas também evidencia a escala do desafio.
O FBI já usou tokens para combater fraudes com criptomoedas antes
Vale destacar um dado que contextualiza bem o cenário atual: em 2024, o próprio FBI criou um token na rede Ethereum, batizado de NexFundAI, para desmantelar esquemas de manipulação de mercado.
A operação resultou na identificação e no indiciamento de supostos fraudadores, além de gerar US$ 14.500 em lucros que foram revertidos às investigações.
Contudo, essa iniciativa legítima pode ter inspirado golpistas a replicar a estratégia de forma criminosa.
Ao imitar a autoridade do FBI, os autores do token falso apostam no intimidamento para extrair dados pessoais ou até credenciais de carteiras de vítimas desavisadas.
A principal lição que fica é simples: nenhuma autoridade governamental envia tokens para carteiras digitais exigindo verificação de identidade.
Diante de qualquer mensagem desse tipo, o caminho correto é ignorar, não clicar em links e reportar o ocorrido ao IC3, a divisão do FBI para crimes digitais.


