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Criptomoedas dominam comércio na Venezuela em meio à crise do Bolívar

Comércio venezuelano aceita criptomoedas e população abandona o Bolívar em meio à inflação e crise econômica.

Venezuela adere às criptomoedas em massa. imagem: IA

A Venezuela vive uma corrida acelerada rumo às criptomoedas. Com a inflação fora de controle e a moeda local em colapso, milhares de cidadãos passaram a usar ativos digitais como alternativa para preservar seu poder de compra.

O comércio, por sua vez, aderiu em massa, aceitando pagamentos em stablecoins como USDT e USDC. Inclusive, empresas começaram a pagar salários em cripto. Dessa forma, o país se transforma em um dos maiores laboratórios de adoção de moedas digitais no mundo.

Adoção em massa das criptomoedas na Venezuela

A desvalorização do Bolívar, que perdeu mais de 70% de seu valor entre outubro e junho, empurrou a população para soluções digitais. Assim sendo, as criptomoedas deixaram de ser nicho e passaram a integrar o cotidiano dos venezuelanos.

Desde pequenos comércios até grandes redes varejistas, todos passaram a aceitar pagamentos via carteiras digitais como Binance e Airtm.

Comércio local se adapta à nova realidade

No centro de Caracas, comerciantes afirmam que deixar de aceitar criptomoedas significa perder clientes. Sendo assim, o uso de stablecoins se tornou essencial para manter os negócios funcionando.

Além disso, a escassez de moeda estrangeira e a dificuldade de abrir contas bancárias aceleraram essa transição.

Salários pagos em cripto e educação financeira emergente

Empresas passaram a remunerar funcionários com stablecoins, principalmente USDT. Igualmente, universidades como a UNETI e a Universidad Católica Andrés Bello criaram cursos voltados à educação financeira baseada em blockchain. Dessa forma, a população começa a entender melhor os mecanismos por trás das moedas digitais.

Criptomoedas como resposta à crise econômica

A inflação anual na Venezuela chegou a 229% em maio, segundo o Observatório Financeiro Venezuelano (OVF). Em resumo, o cenário econômico tornou insustentável o uso do Bolívar. A repressão ao mercado negro de dólares e o fechamento de plataformas de câmbio agravaram a situação. Por fim, a população encontrou nas criptomoedas uma forma de escapar da instabilidade.

Principais fatores que impulsionaram a adoção

  • Inflação descontrolada e perda de valor do Bolívar
  • Repressão ao mercado de câmbio paralelo
  • Falta de acesso a contas bancárias
  • Crescimento das plataformas digitais como Airtm e Binance
  • Estímulo educacional por universidades locais

Dados que mostram a transformação

Segundo a Chainalysis, o uso de criptomoedas na Venezuela aumentou 110% em 12 meses. O país ocupa o 13º lugar no ranking global de adoção. Inclusive, remessas em cripto se tornaram vitais para famílias que dependem de ajuda externa. Sendo assim, o ecossistema digital se fortalece mesmo diante das sanções e da instabilidade política.

Relação ambígua do governo com as criptomoedas

O governo de Nicolás Maduro tem uma postura oscilante em relação às moedas digitais. Em 2018, lançou o petro, uma criptomoeda estatal que não ganhou tração.

Desde então, autoridades foram acusadas de usar cripto para driblar sanções. Dessa forma, o Estado ora reprime, ora se beneficia do setor.

Criptomoedas como ferramenta de sobrevivência

Economistas como Aarón Olmos afirmam que os venezuelanos recorrem às criptomoedas por necessidade, não por escolha. Inclusive, muitos relatam perdas na conversão do Bolívar, mas ainda assim preferem cripto pela proteção contra a inflação. Em resumo, o bom senso financeiro se tornou mais valioso que o capital.

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