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Auditor da Receita Federal é preso com R$ 31,8 mi em criptomoedas

Um auditor da Receita Federal do Brasil foi preso por fraudes envolvendo milhões em criptomoedas.

Auditor da Receita Federal é preso com ligação à milhões em criptomoedas no Brasil. Imagem: IA

Um auditor da Receita Federal do Brasil foi preso depois que o próprio Fisco cruzou compras de criptomoedas com a renda declarada, e os números não fecharam.

A seguir:

  • O que a Operação Snooker 2 encontrou dentro do Aeroporto Internacional de Fortaleza.
  • Por que os criptoativos viraram prova, e não esconderijo.
  • A mudança regulatória que fecha ainda mais esse cerco.

A Polícia Federal, a Receita Federal e o Ministério Público Federal deflagraram a Operação Snooker 2 em 25 de agosto, na qual prenderam um auditor-fiscal apontado como chefe de um esquema milionário envolvendo criptomoedas.

Durante a operação, foram cumpridos 3 mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão em Fortaleza, Caucaia e Eusébio, no Ceará, e em Salvador, na Bahia, segundo a Polícia Federal.

O detalhe que chama a atenção são R$ 31,8 milhões em criptoativos comprados sem lastro na renda declarada, de acordo com apuração da Receita através de cruzamento de dados.

Por dentro da Operação Snooker 2

Segundo o MPF, o grupo era hierarquizado e dividido em quatro núcleos: público, empresarial, financeiro e auxiliar. No centro, um auditor-fiscal lotado no gabinete da inspetoria do aeroporto, interferindo irregularmente em despachos aduaneiros e repassando informações sigilosas de comércio exterior em troca de vantagens indevidas.

O valor estimado: pelo menos R$ 6,8 milhões.

Enquanto uma importadora trazia joias de prata declarando-as como bijuterias de metal comum com laudos periciais falsos, outra, tocada por um casal chinês, subfaturava eletrônicos. A propina desse segundo núcleo é estimada em pelo menos R$ 2,5 milhões.

No entanto, o dinheiro precisava sumir, e o núcleo financeiro do grupo, junto com o auxiliar, é apontado como responsável pela movimentação de mais de R$ 103,3 milhões através de empresas sem atividade econômica real, conforme a denúncia do Ministério Público Federal.

Como resultado da Operação Snooker 2, o MPF assegurou o bloqueio de mais de R$ 26 milhões em contas bancárias, além da apreensão de veículos importados e de uma embarcação de luxo.

O papel das criptomoedas nesse esquema

Enquanto a denúncia do MPF descreve empresas de fachada, imóveis, embarcação e contas no exterior, as criptomoedas aparecem por fora, na apuração da Receita Federal.

Como resultado, as investigações identificaram movimentações superiores a R$ 27 milhões entre empresas ligadas ao esquema. Há ainda a aquisição de aproximadamente R$ 31,8 milhões em criptoativos incompatíveis com as receitas declaradas.

Auditor da Receita Federal é preso com R$ 31,8 mi em criptomoedas
Alguns dos itens confiscados durante a Operação Snooker 2. Foto: Divulgação/PF

Como o rastro cripto virou prova

A Receita monitora operações declaradas por prestadoras de serviços de criptoativos desde 2019. E quando alguém compra dezenas de milhões e declara renda de servidor público, o alarme toca.

De acordo com os dados oficiais, entre agosto de 2019 e dezembro de 2025, foram declarados cerca de R$ 1,58 trilhão em operações de compra e venda dos principais criptoativos. Desse total, aproximadamente R$ 1,13 trilhão em stablecoins.

Contudo, o cerco ficou mais apertado neste ano, com o início do reporte ao DeCripto sobre transações realizadas a partir de julho de 2026. A obrigação alcança, ainda, prestadoras constituídas no exterior que direcionem atividades ao mercado brasileiro.

Como resultado, usar exchange de fora deixou de ser uma camada de opacidade ao operar criptomoedas no Brasil, e quem subestima a capacidade de rastreamento do Fisco, como fez o próprio auditor do órgão público, deve levar a pior.

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