A seguir:
- Binance leva quatro executivos ao maior evento de criptomoedas da América Latina, entre 11 e 13 de agosto para discutir tokenização, distribuição de ativos digitais e o novo marco regulatório do Banco Central.
- O evento acontece em meio a um salto na tokenização brasileira e à corrida das exchanges por autorização como VASP.
A Binance, maior exchange de criptomoedas do mundo, participa do Blockchain.Rio 2026 com uma agenda de seis aparições em três dias. O evento, considerado o maior encontro de blockchain e ativos digitais da América Latina, reúne cerca de 15 a 20 mil pessoas no Rio de Janeiro.
A presença da Binance chega num momento decisivo para o setor, que corre para se adaptar ao novo regime de autorização de exchanges no Brasil, enquanto a CVM desenha as regras da tokenização de ativos do mercado de capitais.
Participação da Binance no Blockchain.Rio 2026
Na noite de ontem, 11 de agosto, os executivos da corretora participaram do Financial Infrastructure Forum Latam, no Museu do Amanhã, e no encontro fechado Blockchain Leaders, na Casa Camolese. Ambos reuniram reguladores e lideranças do setor financeiro.
Nesta quarta-feira (12), Thiago Sarandy, diretor-geral da Binance no Brasil, abre a programação da empresa no palco principal com a palestra “Tudo o que seu dinheiro quiser ser”. Na sequência, Sarandy participa do painel da ABCripto sobre tokenização e acesso global a investimentos, ao lado de BTG Pactual, Coinbase, Nomad e um representante da CVM.
Enquanto isso, Bruno Resende, diretor de Finanças e Tributos para as Américas, debate os desafios regulatórios do setor. Depois, Pedro Kunzler, responsável por Vendas VIP e Institucional, discute a chegada de cripto aos portfólios tradicionais ao lado de Itaú Asset Management e Hashdex.
Na quinta-feira (13), Vinícius Volpatte, diretor de Operações e Estratégia da Binance, fala sobre inteligência artificial e ativos do mundo real (RWA) on-chain. Sarandy encerra a agenda da empresa num painel sobre distribuição de ativos digitais com executivos do BTG Pactual e da Rivool Finance.
Por que a pauta regulatória domina o evento?
O debate sobre tokenização e integração com o mercado tradicional não é coincidência. Em novembro de 2025, o Banco Central publicou as Resoluções BCB nº 519, 520 e 521, que criam o regime de autorização para prestadores de serviços de ativos virtuais (VASPs).
As regras entraram em vigor em 2 de fevereiro de 2026, e o reporte de operações ao Banco Central passou a ser obrigatório a partir de 4 de maio, com capital mínimo de R$ 10,8 milhões exigido das empresas. O prazo para pedir autorização termina em 30 de outubro de 2026.
Em paralelo, a CVM formalizou em julho uma divisão dedicada à tokenização e à inteligência artificial, por meio da Resolução CVM 246. Além disso, a autarquia já discutiu com mais de 50 entidades do mercado uma proposta de regime experimental para tokenização.
Esse movimento regulatório acompanha um mercado que já responde com números concretos. O Brasil fechou o primeiro semestre de 2026 com R$ 4,84 bilhões em emissões de ativos do mundo real tokenizados, segundo levantamento do RWA Monitor. As emissões sob a norma CVM 160 somaram R$ 3,10 bilhões no período, alta de 129,4% em relação a 2025.
A aposta da Binance no mercado brasileiro
A exchange chegou aos nove anos de operação em 2026 com 325 milhões de usuários registrados globalmente e US$ 156 trilhões negociados desde a fundação. No primeiro semestre de 2026, o volume global somou US$ 11,4 trilhões.
No Brasil, considerado um dos mercados prioritários da Binance, o volume negociado quase triplicou em relação ao período anterior. A empresa também aponta a aquisição da corretora Simppaul, a integração do Pix ao Binance Pay e a entrada na ABCripto como parte da estratégia local em 2026.
Sarandy assumiu a direção-geral da Binance no Brasil após anos participando das discussões que resultaram no primeiro marco regulatório de ativos virtuais do país. Hoje, ele reporta a Guilherme Nazar, head da Binance para a América Latina.


