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Regulamentação do Banco Central deve eliminar 1.400 fintechs cripto até 2028

A regulamentação cripto do Banco Central deve reduzir de 2 mil para 600 o número de fintechs no Brasil até 2028. Entenda o impacto e o papel da tokenização.

Banco central do Brasil ao fundo representando a regulamentação cripto e as criptomoedas
  1. A regulamentação cripto do Banco Central deve reduzir o número de fintechs do setor de mais de 2 mil para cerca de 600 empresas até 2028, eliminando players sem capital ou governança suficientes.
  2. As novas exigências de capital mínimo e patrimônio líquido impõem um novo padrão de eficiência financeira: a regulamentação cripto encerra a era do crescimento a qualquer custo no setor.
  3. A tokenização de ativos surge como o principal vetor estratégico para as fintechs que sobreviverem à consolidação, criando estruturas mais transparentes e abrindo novas frentes de mercado no contexto da regulamentação cripto.

O setor de criptomoedas no Brasil atravessa uma virada histórica. As novas exigências do Banco Central devem redesenhar completamente o mapa das fintechs cripto nacionais e o impacto promete ser profundo. 

Segundo a avaliação do especialista Carlos Akira Sato, em Legal & Compliance em Mercados Regulados e Tokenização de Ativos, o país caminha para perder cerca de 1.400 fintechs cripto até 2028, reduzindo o ecossistema atual de mais de 2 mil empresas para aproximadamente 600.

O crescimento que virou alvo da regulamentação cripto

Nos últimos anos, o Brasil construiu um dos maiores ecossistemas de fintechs cripto do mundo.

De acordo com dados da A&S Partners citados por Sato, o número de empresas ativas nesse segmento cresceu 77% desde 2020, uma expansão que aconteceu, em grande parte, justamente porque o ambiente regulatório era pouco rígido. Esse cenário, no entanto, chegou ao fim.

O pacote normativo editado pelo Banco Central elevou as exigências de capital mínimo e patrimônio líquido para todas as entidades supervisionadas que operam com criptomoedas. 

Na prática, a mensagem que o regulador enviou ao mercado é direta: solvência vem antes de crescimento. Para Sato, o desafio das empresas deixou de ser apenas conquistar clientes e passou a exigir eficiência cirúrgica na alocação de capital.

Regulamentação cripto pressiona fintechs menores

O efeito mais imediato desse novo cenário recai sobre as empresas de menor porte. Fintechs que não conseguirem equilibrar expansão com governança e compliance tendem a perder espaço ou simplesmente desaparecer. 

Assim, a consolidação do setor não representa um fracasso do mercado, mas uma mudança estrutural inevitável, impulsionada por regras que exigem mais robustez institucional.

Sato foi claro ao avaliar esse movimento: ele prejudica a inovação no curto prazo, mas garante que as instituições que sustentam o Pix e o Open Finance tenham musculatura suficiente para suportar crises sistêmicas

Em outras palavras, o preço da maturidade regulatória é pago agora pelos players menores.

Tokenização surge como saída estratégica

Apesar do ambiente mais restritivo, a regulamentação cripto também abre caminho para uma tendência que promete transformar a economia digital brasileira: a institucionalização da tokenização de ativos

Para Sato, estamos entrando em uma nova fase, na qual a tecnologia de tokenização transforma ativos reais em representações digitais negociáveis, aumentando liquidez e eficiência no mercado financeiro.

Mais do que uma inovação técnica, a tokenização funciona como uma ponte estratégica entre as exigências regulatórias e a necessidade de inovação. 

Ao criar estruturas mais transparentes e rastreáveis, ela facilita tanto a operação das fintechs quanto a supervisão dos órgãos reguladores.

Isso representa, portanto, um ponto raro de convergência entre o interesse do mercado e o interesse do Estado.

Na prática, o movimento já chegou ao mercado imobiliário: a netspaces anunciou recentemente a venda de três imóveis tokenizados em um empreendimento em São Paulo, um sinal de que a tokenização saiu do campo teórico e entrou em operação comercial.

Um novo mapa para o setor cripto brasileiro

Com menos players e um ambiente mais sofisticado, o setor financeiro cripto brasileiro caminha para uma reconfiguração relevante. 

Sobreviverão as empresas capazes de combinar solidez financeira, tecnologia e capacidade de inovação — e não apenas aquelas que cresceram rapidamente aproveitando a ausência de regras.

O mercado de pagamentos encerrou 2025 marcando o fim da era do crescimento a qualquer custo, segundo Sato. 

A partir de agora, as fintechs cripto que querem continuar operando no Brasil precisarão demonstrar governança real, capital adequado e modelos de negócio sustentáveis.

Nesse contexto, a tokenização desponta não apenas como uma tendência tecnológica, mas como um dos principais vetores de crescimento para a próxima fase das fintechs no Brasil. 

Para quem sobreviver à consolidação, o horizonte é de um mercado mais maduro, mais institucionalizado e, potencialmente, muito mais valioso.

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