O governo federal está articulando a criação do programa ‘Brasil Seguro’, uma força-tarefa interinstitucional que promete reforçar a vigilância sobre exchanges de criptomoedas e fintechs que atuam no Brasil.
A informação foi revelada pela Coluna de Ancelmo Gois, no jornal O Globo, e surge na esteira do maior ataque cibernético já registrado contra o sistema financeiro nacional. Trata-se de um desvio de mais de R$ 1 bilhão, ocorrido após a invasão da empresa C&M Software, prestadora de serviços do Banco Central.
Contudo, embora nenhuma autoridade tenha confirmado oficialmente o novo programa, fontes apontam que a iniciativa envolverá cooperação direta entre a Polícia Federal, Banco Central, BNDES e Febraban. Já o objetivo é de prevenir fraudes financeiras e crimes envolvendo ativos digitais.
O projeto indica um novo capítulo de fiscalização sobre o setor cripto, que vem sendo cada vez mais associado a tentativas de lavagem de dinheiro. Especialmente após o episódio recente, no qual criminosos buscaram converter valores desviados em USDT e Bitcoin por meio de plataformas integradas ao Pix.
Ataque hacker acende alerta
O gatilho para o programa ‘Brasil Seguro’ foi o ataque ocorrido em 1º de julho de 2025, quando hackers invadiram o sistema da C&M Software utilizando credenciais de clientes para acessar contas de reserva mantidas no Banco Central.
As vítimas incluem seis instituições financeiras, entre elas BMP e Credsystem. O BC confirmou o ataque e desligou a C&M de seus sistemas imediatamente, em uma tentativa de evitar novas invasões.
Após o roubo, os criminosos iniciaram tentativas de conversão dos valores por meio de exchanges cripto e mesas de OTC. No entanto, algumas plataformas identificaram a movimentação atípica, bloquearam as transações e alertaram o banco. Como resultado, o montante total efetivamente convertido ainda é desconhecido.
Setor cripto promete colaboração
Diante da gravidade do ataque, empresas do setor de criptoativos se colocaram à disposição para colaborar com as investigações da Polícia Federal. Inclusive, algumas reforçaram seus mecanismos de segurança e passaram a monitorar com mais rigor transações suspeitas.
Além disso, o mercado acompanha com atenção o cronograma do Banco Central para regulamentar a Lei 14.478/2022, que deve ser publicado agora no segundo semestre. Assim, espera-se que as novas regras tragam padrões mais rígidos para a atuação de exchanges e prestadores de serviços com criptoativos.
O caso evidencia a crescente necessidade de integração entre o ecossistema cripto e o sistema financeiro tradicional, a fim de proteger usuários, fortalecer as defesas cibernéticas e impedir que ativos digitais sejam usados como rota de fuga para atividades criminosas.


