Duas novidades recentes mostram como a indústria de criptomoedas está se adaptando às demandas dos investidores e às regulamentações no Brasil e no mundo.
Primeiro, a exchange Bitso anunciou o lançamento de uma stablecoin atrelada ao peso mexicano. Enquanto isso, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) voltou atrás em sua decisão que impedia a venda irregular de tokens de renda fixa pelo Mercado Bitcoin. Veja os detalhes a seguir.
Bitso Lança Stablecoin Atrelada ao Peso Mexicano
A corretora de criptomoedas Bitso anunciou o lançamento da MXNB, uma stablecoin atrelada ao valor do peso mexicano. O ativo digital será emitido na blockchain Arbitrum pela Juno, nova divisão da empresa dedicada à gestão e emissão de ativos digitais.
As stablecoins são criptomoedas cujo valor é lastreado a uma moeda fiduciária tradicional, como o dólar ou, neste caso, o peso mexicano, proporcionando estabilidade para transações e pagamentos.
Assim, o objetivo principal da MXNB é facilitar a conversão de fundos e oferecer uma alternativa eficiente para pagamentos internacionais. O que deve beneficiar empresas que atuam no México.
Atualmente, o mercado global de stablecoins é amplamente dominado pelo USDT (Tether), avaliado em US$ 143,8 bilhões, e pelo USDC (Circle), com US$ 59,7 bilhões.
Ben Reid, novo head de stablecoins da Bitso, destacou que esses ativos digitais estão revolucionando os pagamentos transfronteiriços, tornando-os mais rápidos, baratos e transparentes.
Segundo Reid, a empresa está comprometida em oferecer soluções inovadoras para facilitar a entrada de empresas em mercados globais.
CVM Revoga Proibição de Tokens do Mercado Bitcoin
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) reverteu a decisão de proibir a venda de tokens de renda fixa digital pelo Mercado Bitcoin. A suspensão, anunciada em 11 de março, foi revogada após recurso da exchange, permitindo que as negociações sejam retomadas.
A CVM havia determinado que o Mercado Bitcoin interrompesse a oferta de tokens lastreados em direitos creditórios de FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios), argumentando que a plataforma não tinha autorização para essa atividade. O não cumprimento da decisão implicaria em multa diária de R$ 100 mil.
O Mercado Bitcoin defendeu sua conformidade com a regulamentação vigente, citando uma consulta feita à CVM em 2020, que permitia a oferta desses ativos sob diferentes classificações, incluindo Gestora, Securitizadora e Plataforma de Investimentos Participativos (crowdfunding).
Após diálogos com o regulador, a autarquia reviu sua decisão, permitindo que a exchange volte a operar normalmente com os tokens de renda fixa.
Conclusão
O lançamento da MXNB pela Bitso e a decisão da CVM de permitir a continuidade das operações do Mercado Bitcoin refletem a crescente influência dos ativos digitais no mercado financeiro. As stablecoins continuam a ganhar espaço como ferramentas essenciais para pagamentos internacionais, enquanto a regulação das criptomoedas no Brasil segue evoluindo.
Além disso, a flexibilização das regras pela CVM pode indicar um amadurecimento do setor e maior diálogo entre reguladores e empresas do mercado cripto.


