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Brasil é o país mais otimista do mundo com criptomoedas, aponta estudo

Pesquisa da LatAm Intersect analisou cobertura jornalística em múltiplos países. No Brasil, 75% dos conteúdos foram classificados como “expectativa”, o maior índice global.

Brasil é o país mais otimista do mundo com criptomoedas, aponta estudo

Pesquisa da LatAm Intersect monitorou como a imprensa de diferentes países cobre o setor. O Brasil ficou na ponta. Três quartos do noticiário nacional sobre cripto carregam expectativa, não medo, não surpresa.

A seguir:

  • A metodologia por trás do estudo e por que monitorar jornalismo diz mais sobre mercado do que pesquisa de opinião
  • Por que o Brasil e a América Latina enxergam cripto de um jeito diferente do resto do mundo
  • O que França, Alemanha e México revelam quando comparados ao perfil brasileiro

Nem todo mercado tem a mesma relação com criptomoedas. Na França, o jornalismo sobre o setor é dominado pela surpresa, como se os repórteres ainda não soubessem bem onde encaixar o assunto. Na Alemanha, o medo aparece com força. No Brasil, o sentimento que domina é outro: expectativa.

Esse é o achado central de um novo estudo da LatAm Intersect, agência de relações públicas especializada na região, que monitorou 12 meses de cobertura jornalística online em múltiplos países por meio da plataforma ECR da Delta Analytics.

A ferramenta usa tecnologia chamada Associative Hypersearch para rastrear reações emocionais em conteúdos públicos de forma não invasiva, sem enquete, sem resposta declarada.

O resultado: 75% dos conteúdos jornalísticos brasileiros sobre criptomoedas foram classificados como “expectativa”. É o maior índice entre todos os países analisados.

O que esse número significa na prática

Não é só que os brasileiros são entusiastas. O estudo aponta algo mais específico: o interesse no país é distribuído. Privacidade, NFTs, trading, novos ecossistemas, o mercado brasileiro não orbita em torno de um único tema. Essa diversidade de atenção é interpretada pelos pesquisadores como sinal de maturidade relativa, não de euforia passageira.

Há contexto para isso. Estimativas apontam que cerca de 59 milhões de pessoas no Brasil já tiveram contato com ativos digitais, o equivalente a aproximadamente 37% da população adulta.

Entre julho de 2024 e junho de 2025, o Brasil movimentou cerca de US$318,8 bilhões em criptomoedas, crescimento de 109,9% em relação ao período anterior.

O avanço regulatório do Banco Central (com normas progressivas para exchanges, PSAVs e stablecoins ao longo de 2025 e 2026) também contribui para essa percepção. Cripto deixou de aparecer na imprensa brasileira apenas como aposta arriscada. Passou a ser associado à participação econômica mais ampla.

A América Latina como categoria à parte

O Brasil não está sozinho nesse perfil. A América Latina, como região, é a mais otimista do mundo em relação a criptomoedas. Mas o estudo diferencia bem o que esse otimismo representa.

Roger Darashah, cofundador e diretor da LatAm Intersect, sintetiza:

“Em alguns mercados, trata-se de ganhar dinheiro. Em outros, de protegê-lo. E em outros, ainda, de conseguir acessá-lo. A América Latina pertence claramente a esse terceiro grupo: aqui, cripto não é um ativo de luxo, mas uma ferramenta de inclusão.”

O México mostra um retrato mais dividido. Expectativa e medo aparecem em proporções semelhantes, cerca de 35% cada. O interesse se concentra em privacidade e regulação, não em especulação.

Entre o público hispânico nos Estados Unidos, a expectativa (~42%) supera o medo (~28%), com as stablecoins ocupando papel central — usadas principalmente para pagamentos e remessas para a América Latina.

O que a Europa revela por contraste

A França é o caso mais curioso do estudo. Cerca de 90% da cobertura jornalística local sobre cripto foi classificada como surpresa, o maior índice entre todos os países analisados. A leitura dos pesquisadores: os veículos franceses não temem o setor, mas não sabem onde encaixá-lo nos modelos financeiros que conhecem.

Na Alemanha, a surpresa também domina (~55%), mas o medo aparece como segundo fator relevante (~20%). A atuação rigorosa do regulador BaFin e as reportagens sobre lavagem de dinheiro alimentam essa percepção. Na Espanha, medo (~40%) e surpresa (~30%) disputam espaço, mercado ainda indefinido entre oportunidade e risco.

Gráfico de barras apresentando emoções associadas a notícias de criptomoedas, como cólera, antecipação, medo, felicidade, tristeza e surpresa, dividido por diferentes países e idiomas.

Três jeitos de enxergar a mesma tecnologia

O estudo organiza os mercados em três perfis distintos. Na Europa continental, cripto é tratado como instrumento financeiro. Nos Emirados Árabes Unidos, Singapura, Reino Unido e entre audiências anglófonas nos EUA, o foco é segurança, autonomia e soberania sobre os próprios ativos.

Na América Latina, cripto é porta de entrada para o sistema financeiro: pagamentos, remessas e acesso econômico vêm antes da especulação.

Esses três perfis importam porque ditam como cada mercado vai adotar, ou rejeitar, as próximas ondas de produto. Uma exchange que chega ao Brasil falando de retorno financeiro está falando a língua errada. Uma que fala de acesso e inclusão está no caminho certo.

“A capacidade de se conectar com as audiências em seus próprios termos, refletindo suas necessidades e motivações específicas, será fundamental para impulsionar a adoção e gerar confiança”, conclui Darashah.

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