Estudo prevê que a carga tributária no Brasil deve subir de 34% para 42,8% do PIB até 2050, pressionada pelo envelhecimento da população
Um estudo recente realizado pelo Instituto Esfera de Estudos e Inovação prevê que o Brasil pode enfrentar o maior aumento de carga tributária do mundo até 2050. Atualmente, os impostos pagos pelos brasileiros representam 34% do Produto Interno Bruto (PIB), e a estimativa é que esse índice suba para 42,8% nas próximas décadas.
Entre os principais motivos está o envelhecimento da população, que deve pressionar os gastos do governo em saúde e previdência. Com isso, a arrecadação deve crescer, mesmo que a renda média da população permaneça distante da de países desenvolvidos.
Envelhecimento da população impulsiona a carga tributária no Brasil
A análise ainda considerou que em 2050, cerca de 25% dos brasileiros terão mais de 65 anos, enquanto hoje esse grupo representa aproximadamente 10% da população. O aumento da população idosa exige investimentos maiores em serviços públicos essenciais. Consequentemente, o governo terá de ampliar a arrecadação, impactando diretamente a carga tributária no país.
O economista Pedro Fernando Nery, coordenador do levantamento, apontou que o financiamento desses gastos por meio de impostos pode se tornar insustentável a longo prazo. Considerando que o Brasil já arrecada de forma similar a países desenvolvidos, como Suécia e Noruega, mesmo sem oferecer o mesmo nível de serviços sociais a população.

Reforma tributária pode ser a alternativa
O estudo também aponta que as isenções e incentivos fiscais, que somam mais de 4% do PIB, geram distorções no sistema tributário.
Por exemplo, benefícios concedidos ao agronegócio superam cinco vezes o orçamento do Ministério da Agricultura, pressionando decisões políticas e dificultando a eficiência fiscal.
Camila Funaro Camargo Dantas, CEO do Instituto Esfera de Estudos e Inovação, reforça que os incentivos precisam ser claros, com início e fim definidos, e devem passar por avaliações objetivas de impacto. Sem uma governança adequada, o desafio fiscal do país tende a se intensificar.
A pesquisa sugere ainda a criação da LGGT (Lei Geral dos Gastos Tributários) e um teto de 2% do PIB para gastos tributários federais a partir de 2027. Essas medidas ajudariam a controlar os benefícios fiscais e reduzir distorções, evitando um aumento ainda maior.
Fintechs e criptoativos na mira da tributação
No curto prazo, fintechs e ativos digitais podem ser as novas fontes de arrecadação. A Medida Provisória 1.303/2025, recentemente barrada no Congresso, previa tributar ganhos em criptoativos acima de R$ 35 mil mensais, sendo 18% alíquota retida na fonte.
Desta forma, apesar da derrota do governo, novas regras tributárias para os criptoativos ainda podem ser implementadas. O presidente Lula indicou que medidas serão estudadas para compensar perdas arrecadatórias e reforçou que fintechs devem contribuir de forma equivalente a bancos tradicionais.
O estudo indica que o Brasil precisa repensar sua estratégia fiscal para equilibrar arrecadação e eficiência social, evitando que a carga tributária se torne insustentável nas próximas décadas.


