A seguir:
- Queda de 75% nos commits de criptomoedas desde o início de 2025, com Ethereum e Solana perdendo dezenas de pontos percentuais em desenvolvedores ativos
- Desenvolvedores de criptomoedas migraram para IA, impulsionados pela desvalorização de 45% do mercado cripto e pelo crescimento de 178% nos repositórios de IA no GitHub
- Mineradoras de Bitcoin já haviam feito o mesmo movimento em 2023, e hoje mantêm US$ 8 bilhões em reservas que podem pressionar o preço da moeda
O mercado de criptomoedas enfrenta uma crise silenciosa, mas bastante reveladora.
Dados da Artemis, divulgados pela CoinDesk, confirmam que desenvolvedores de criptomoedas estão abandonando o setor em ritmo acelerado para migrar para projetos de Inteligência Artificial.
O número de commits, ou seja, alterações de código registradas nas principais redes, despencou 75% desde o início de 2025, saindo de 850 mil para apenas 210 mil.
Essa fuga de talentos técnicos não representa apenas uma estatística fria. Ao contrário, ela sinaliza uma mudança estrutural no ecossistema digital global, onde os profissionais mais qualificados já voltam seus olhos para oportunidades mais lucrativas fora das blockchains.
A queda dos desenvolvedores de criptomoedas nas principais redes
Quando analisamos os dois ecossistemas mais relevantes do setor, o cenário se torna ainda mais preocupante.
O Ethereum registrou uma queda de 34% no número de desenvolvedores ativos em apenas três meses, chegando a 2.811 profissionais.
Já a Solana sofreu uma retração ainda mais expressiva: 40% de redução, restando apenas 942 desenvolvedores ativos.
Outros ecossistemas, contudo, saíram em situação pior. A Base perdeu 52% de seus profissionais, encerrando o período com somente 378 desenvolvedores.
A Aptos, por sua vez, registrou a maior queda proporcional entre as redes analisadas, com 60% de abandono.
Em volume de commits, a BNB apresentou redução de 85%, enquanto a Celo sofreu queda de 52%.
Vale lembrar que, até 2025, Ethereum e Solana lideravam o ranking de ecossistemas com mais desenvolvedores ativos no mundo cripto.
Portanto, as perdas registradas agora representam uma inversão bastante significativa de tendência.
Por que os desenvolvedores de criptomoedas estão indo para a IA
A migração dos desenvolvedores de criptomoedas para a Inteligência Artificial não acontece por acaso.
Dois fatores principais explicam esse movimento: a queda brutal do mercado cripto e o crescimento exponencial da demanda por profissionais de IA.
O setor de criptomoedas perdeu US$ 1,9 trilhão desde o pico registrado em outubro, representando uma desvalorização de 45%.
Diante disso, profissionais altamente qualificados começaram a redirecionar suas carreiras para onde o dinheiro e as oportunidades realmente estão crescendo.
O GitHub já conta com 4,3 milhões de repositórios ligados à IA, um crescimento de 178% em relação ao ano anterior.
Repositórios com Dockerfiles cresceram 120%, e os que utilizam Jupyter Notebooks avançaram 75%. Além disso, o TypeScript superou Python e JavaScript em número de contribuidores na plataforma, ganhando 1 milhão de novos colaboradores no último ano.
Dentro do próprio mercado cripto, apenas a infraestrutura de carteiras apresentou crescimento, com alta modesta de 6%.
Mineradoras de Bitcoin abriram o caminho ainda em 2023
Curiosamente, os desenvolvedores de criptomoedas não foram os primeiros a identificar essa tendência.
As grandes mineradoras de Bitcoin já haviam iniciado essa transição para a IA em 2023, atraídas pelos retornos superiores que a infraestrutura de data centers para modelos de linguagem oferece.
Nomes como Northern Data Group, Hut 8 e Core Scientific mesclaram ou redirecionaram completamente suas operações para atender à demanda crescente das empresas de IA.
Hoje, esse grupo de mineradoras mantém US$ 8 bilhões em Bitcoin em suas reservas combinadas, o que, segundo estudo da Bloomberg, pode impactar o preço da moeda caso essas empresas decidam liquidar suas posições.
A Mara Holdings, segunda maior detentora pública de bitcoin com 53.822 unidades (cerca de US$ 3,8 bilhões), já sinalizou que pode vender suas moedas conforme necessário. Riot, Hut 8, CleanSpark e Galaxy também figuram entre as maiores detentoras institucionais da moeda.
“Se você pudesse transformar uma mineradora em um data center para IA, teria um múltiplo de 5 vezes nas suas ações”, disse o investidor Kevin O’Leary à Bloomberg.
Para ele, isso não diminui a demanda por Bitcoin, mas apenas reflete onde os retornos financeiros são maiores agora.
O que fica claro, portanto, é que tanto as mineradoras quanto os desenvolvedores de criptomoedas estão seguindo a mesma lógica: ir para onde o capital e a inovação se concentram. E, neste momento, esse lugar é a Inteligência Artificial.


