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DominiPay lança carteira de autocustódia cripto com saque Pix

Carteira de autocustódia da DominiPay saca direto no Pix em quatro redes. Veja o que muda com o prazo do Banco Central em 30 de outubro.

Carteira de criptomoedas de Bitcoin para Pix.

Desde 20 de outubro, a DominiPay oferece uma carteira digital em que a empresa afirma não guardar as chaves do usuário. O lançamento caiu a dez dias do prazo em que o Banco Central cobra pedido de autorização das prestadoras de ativos virtuais.

A seguir:

  • Uma carteira em que a própria empresa diz não ter acesso aos fundos, com saída direta para o Pix
  • O que o Banco Central cobra de quem presta serviço de ativos virtuais, e o que realmente fica de fora
  • A pergunta que o anúncio não responde sobre quem converte cripto em reais

Dentro do mesmo aplicativo que a brasileira DominiPay já operava, a carteira cobre quatro redes: Bitcoin, Solana, Tron e Polygon. O usuário envia, recebe e acompanha o histórico de transações.

O saque em Pix funciona apenas pela rede Polygon. Já o acesso à carteira depende de uma frase secreta, que fica sob responsabilidade do titular e não da empresa.

Esse desenho tem um custo conhecido. Quem perde a frase secreta perde os ativos, sem atendimento que reverta a situação. Em compensação, nenhum bloqueio da empresa alcança o saldo do usuário.

No comunicado enviado à imprensa, o CEO Leonardo Maximiliano resume assim:

“Autocustódia muda a lógica porque separa a infraestrutura tecnológica da posse dos ativos. A plataforma viabiliza a operação, mas a decisão e o controle permanecem com o usuário”.

Onde a regulação realmente morde

Não ter a chave do cliente afasta a empresa de uma atividade específica. As Resoluções BCB 519, 520 e 521 foram publicadas em novembro de 2025 e estão em vigor desde 2 de fevereiro de 2026.

Nelas, custódia aparece definida como guarda ou controle de instrumentos ligados a ativos virtuais. Sem a chave, não há guarda.

Entretanto, a ausência de custódia não coloca a operação inteira fora do perímetro. Ela retira a empresa de uma das atividades reguladas, não de todas.

Há ainda um detalhe que corre na direção oposta ao discurso de liberdade. A Resolução 521 incluiu no mercado de câmbio as transferências de ativos virtuais de ou para carteiras autocustodiadas.

Na prática, a carteira que o usuário controla sozinho não é um espaço sem regra. O Banco Central já havia avançado nessa direção ao exigir notificação de movimentações em carteiras de autocustódia.

O prazo do Banco Central

Empresas que já prestavam serviços de ativos virtuais precisam protocolar o pedido de autorização até 30 de outubro de 2026, prazo fixado pela Instrução Normativa BCB 704. Quem não protocolar tem 30 dias para encerrar a atividade.

Em seguida vem outra data. A partir de 6 de novembro, bancos e instituições de pagamento ficam proibidos de operar com prestadoras não autorizadas. É por esse canal que passa qualquer conversão para reais.

Concorrentes já se mexeram diante do calendário. A OKX protocolou seu pedido de licença no Banco Central neste mês, e o setor corre para se enquadrar antes do corte.

A DominiPay se descreve como agregadora de tecnologia que integra instituições licenciadas. No entanto, o comunicado oficial não menciona qual instituição executa a conversão de cripto para reais no saque via Pix.

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