A OKX, conhecida como a segunda maior exchange de criptomoedas do mundo, protocolou junto ao Banco Central do Brasil o pedido de autorização para operar como Sociedade Prestadora de Serviços de Ativos Virtuais (SPSAV).
O movimento coloca a exchange entre as grandes plataformas internacionais que buscam regularização formal no país, em meio ao prazo que se aproxima para adequação ao novo marco regulatório cripto.
A seguir:
- Como a OKX estruturou o pedido e o que a autorização permite
- Quem mais já protocolou o pedido junto ao Banco Central
- O que muda para o usuário brasileiro com a regulamentação
O pedido da OKX foi formalizado por meio da Brasil 8, entidade jurídica local que a exchange utiliza para estruturar sua operação no país. A autorização como SPSAV abre caminho para que a plataforma ofereça legalmente serviços financeiros relacionados a ativos digitais sob supervisão do Banco Central, ampliando o escopo de atuação além do que é permitido a operadores sem licença.
Guilherme Sacamone, CEO da OKX Brasil, disse à Exame que o protocolo representa anos de construção interna
Como o pedido foi feito e o que vem a seguir
O protocolo foi realizado via Brasil 8. Segundo o executivo responsável pela operação local, o registro no site do Banco Central costuma levar de um a dois dias úteis para se tornar público após o envio.
A estrutura via Brasil 8 é a mesma adotada pela exchange para manter seu endereço comercial no país. A OKX já possui autorizações regulatórias em outras jurisdições, o que sustenta parte do dossiê apresentado ao BC na solicitação brasileira.
O Banco Central ainda não concedeu a licença definitiva, que depende de análise do pedido pela autarquia. O processo segue o rito previsto no marco regulatório de ativos virtuais, que estabelece as condições para funcionamento das SPSAV no Brasil a partir de 30 de outubro de 2026.
Corrida por licenças ganha velocidade
A OKX não está sozinha na fila. Pelo menos outras três empresas protocolaram pedidos de licença ao Banco Central em período recente, segundo o Portal do Bitcoin, que mapeou as solicitações enviadas à autarquia. A lista de requerentes vem crescendo à medida que o prazo regulatório avança.
A Binance saiu na frente: foi a primeira plataforma de criptomoedas a obter autorização formal no Brasil, após o Banco Central aprovar a compra da corretora Sim;paul pela exchange. O movimento da OKX segue lógica semelhante, buscando estrutura jurídica local antes que o novo arcabouço entre em vigor.
Exchanges que não obtiverem a licença dentro do prazo ficam impedidas de captar novos clientes ou de oferecer determinados serviços financeiros vinculados a ativos digitais no país, o que pressiona as plataformas a acelerar os pedidos.
O que está em jogo para o mercado brasileiro
O Brasil é um dos maiores mercados de criptomoedas da América Latina, e a presença de exchanges globais regulamentadas altera a dinâmica competitiva com as plataformas locais. Para o usuário, a licença SPSAV significa que a exchange passa a ser supervisionada pelo BC, com obrigações de capital, governança e reporte.
O Banco Central também passou a exigir notificação de movimentações em carteiras de autocustódia, ampliando o perímetro de fiscalização sobre o setor. A combinação dessas exigências redesenha o mercado: plataformas sem estrutura jurídica local tendem a perder espaço para as que já formalizaram a operação.
A análise do pedido da OKX pelo Banco Central não tem prazo público definido. A publicação no site da autarquia confirmará oficialmente o recebimento do protocolo.
Perguntas frequentes
A OKX já está autorizada a operar no Brasil?
Não. O protocolo representa o pedido de autorização, não a concessão da licença. O Banco Central ainda precisa analisar a solicitação antes de emitir a autorização formal de funcionamento como SPSAV.
O que é uma SPSAV e por que a licença importa?
A Sociedade Prestadora de Serviços de Ativos Virtuais é a categoria jurídica criada pelo marco regulatório brasileiro para exchanges e prestadores de serviços com criptomoedas. Sem essa autorização, as plataformas ficam impedidas de oferecer determinados serviços financeiros vinculados a ativos digitais no país após o novo regime entrar em vigor.
Quem já tem licença cripto no Brasil?
A Binance foi a primeira a obter autorização formal, após o Banco Central aprovar a aquisição da corretora Sim;paul. Outras empresas, incluindo a OKX, protocolaram pedidos que ainda estão em análise pela autarquia.


