Clientes têm até 30 de outubro de 2026 para liquidar posições; estratégia de manter Bitcoin na tesouraria corporativa segue inalterada.
A seguir:
- Por que o Banco Central levou a Méliuz a desligar a função de negociação
- O que muda para os usuários do aplicativo e qual é o prazo
- Como a estratégia de tesouraria em Bitcoin da companhia fica intacta
A Méliuz (CASH3) anunciou o encerramento da funcionalidade de compra e venda de Bitcoin dentro de seu aplicativo. A decisão foi motivada pelas novas exigências regulatórias do Banco Central para empresas que oferecem criptoativos diretamente a usuários finais.
Os clientes que ainda mantêm saldo no serviço têm até 30 de outubro de 2026 para liquidar suas posições. A companhia deixou claro que a medida não altera sua política de alocação de Bitcoin no balanço corporativo, adotada como estratégia de tesouraria.
Por que o Banco Central forçou a Méliuz a encerrar a negociação de Bitcoin?
O Banco Central passou a exigir credenciamento específico de empresas que oferecem criptoativos a clientes finais. A Méliuz entendeu que obter essas autorizações não era prioritário diante do tamanho da operação e de sua estratégia de produto. A companhia comunicou que, embora tivesse condições de atender às exigências, optou por não seguir nessa direção agora.
O movimento ocorre num ambiente regulatório cada vez mais restritivo para prestadoras de serviços cripto no Brasil. O BC já havia determinado que movimentações em carteiras de autocustódia precisam ser notificadas, além de o mercado estimar que apenas dez empresas cripto devem obter licença do regulador.
O que muda para quem usava o app da Méliuz para comprar Bitcoin?
Quem mantinha saldo em Bitcoin dentro do aplicativo tem até 30 de outubro de 2026 para sacar ou liquidar a posição. Após esse prazo, a funcionalidade de negociação deixa de existir no app. Não há indicação de que a empresa vá reter valores ou converter saldos automaticamente.
A Méliuz sinalizou que a função sempre foi acessória dentro do produto e atendia uma parcela pequena da base de usuários. A companhia separou explicitamente os dois assuntos para evitar confusão entre o encerramento do serviço ao cliente e sua posição estratégica no ativo. Segundo a empresa:
“Estamos adequando uma funcionalidade do app ao novo ambiente regulatório, sem qualquer mudança na nossa estratégia de tesouraria ou na nossa visão sobre o bitcoin.”
A Méliuz ainda acredita no Bitcoin como ativo de reserva?
Sim. A estratégia de tesouraria em Bitcoin, adotada pela companhia, permanece intacta. A Méliuz tem mantido parcela relevante de seu caixa alocada em Bitcoin e continua comprometida com a geração de BTC Yield para os acionistas. A empresa reforçou que encerrar a negociação no app não sinaliza mudança de posicionamento sobre o ativo.
A própria companhia foi direta na separação dos dois temas:
“É importante separarmos dois assuntos distintos. O primeiro é a nossa estratégia de tesouraria em bitcoin, e nisso não houve nenhuma mudança. Continuamos acreditando no bitcoin como uma reserva de valor de longo prazo, e nosso compromisso com os acionistas permanece o mesmo: gerar BTC Yield”, afirmou a Méliuz.
A empresa havia alocado R$ 160,8 milhões em Bitcoin em uma única compra, consolidando o ativo como principal posição de caixa. O ambiente regulatório que cerca esse tipo de operação já levou analistas a projetar que a regulamentação do BC pode eliminar mais de 1.400 fintechs cripto até 2028.
Perguntas frequentes
Vou perder meu Bitcoin se não sacar até 30 de outubro?
A Méliuz estabeleceu o dia 30 de outubro de 2026 como prazo para que os usuários liquidem seus saldos no serviço. A empresa não anunciou conversão automática nem retenção de valores, mas é recomendável acionar o suporte caso haja dúvida sobre o procedimento de saque.
A Méliuz vai vender o Bitcoin que tem na tesouraria?
Não há nenhum indício disso. A companhia foi explícita ao separar o encerramento da função no app da estratégia corporativa, que segue ativa. A Méliuz reafirmou o compromisso de manter Bitcoin como reserva de valor de longo prazo e de continuar gerando BTC Yield aos acionistas.
Outras empresas podem seguir o mesmo caminho que a Méliuz?
O novo marco regulatório do Banco Central impõe exigências de credenciamento a qualquer empresa que ofereça criptoativos a usuários finais. Empresas que não considerem a operação de negociação de cripto como parte central do negócio podem adotar decisão semelhante para evitar custos de compliance.


