Para Jake Chervinsky, mercados onchain precisam entrar no perímetro regulatório dos EUA, e ele acredita que isso vai acontecer em breve.
A seguir:
- Por que Chervinsky acredita que todas as exchanges migrarão para blockchain pública
- Qual o papel regulatório que o Hyperliquid Policy Center quer cumprir
- O que ainda falta para mercados onchain entrarem na regulação americana
Jake Chervinsky, CEO do Hyperliquid Policy Center, afirmou em entrevista ao The Block que todas as exchanges, sem exceção, terão de adotar infraestrutura de blockchain pública na próxima década para permanecerem competitivas. A declaração inclui gigantes do mercado tradicional como a CME Group e a Intercontinental Exchange (ICE), ao lado de plataformas cripto-nativas como Kraken e Coinbase.
A visão de Chervinsky é direta: daqui a dez anos, qualquer venue que queira competir precisará integrar tecnologia de blockchain pública do tipo que a Hyperliquid representa. Não se trata de uma tendência gradual, mas de uma necessidade estrutural imposta pelo mercado.
Por que o blockchain pública se tornaria obrigatório para exchanges tradicionais?
A tese de Chervinsky é que a infraestrutura de blockchain pública oferece transparência e eficiência que sistemas fechados não conseguem replicar. Exchanges que não adotarem esse modelo perderão liquidez, usuários e credibilidade diante de concorrentes que já operam nesse padrão.
O executivo coloca CME e ICE no mesmo balde que Kraken e Coinbase: independentemente da origem, tradicional ou cripto-nativa, todas enfrentarão a mesma pressão competitiva. A lógica é que o padrão aberto vence o fechado quando a diferença de eficiência se torna grande demais para ignorar.
O que o Hyperliquid Policy Center quer mudar na regulação americana de derivativos onchain?
Além da previsão de mercado, Chervinsky defende que os mercados onchain precisam entrar no perímetro regulatório dos Estados Unidos, e que esse passo deve ocorrer em breve. O foco imediato do Hyperliquid Policy Center é abrir caminho para derivativos perpétuos regulamentados operando em blockchain pública dentro das regras americanas.
O Hyperliquid Policy Center foi lançado como organização independente de pesquisa e advocacy do tipo 501(c)(4), com sede em Washington, D.C. A entidade foi criada para avançar a infraestrutura de mercado descentralizado, derivativos perpétuos e outras tecnologias financeiras junto ao governo americano. O lançamento, anunciado em fevereiro de 2026, contou com US$ 29 milhões em tokens HYPE como suporte financeiro inicial.
A estratégia é clara: se a regulação não acompanhar a tecnologia, os mercados onchain continuarão operando em zona cinzenta, afastando capital institucional que precisaria de segurança jurídica para entrar. O movimento do HPC tenta resolver esse gargalo pela via do diálogo regulatório, não do confronto.
Qual o impacto dessa agenda para o mercado cripto global e para investidores?
Se a tese de Chervinsky se confirmar, a consequência prática é uma convergência entre finanças tradicionais e DeFi. Exchanges que hoje operam em silos separados passariam a compartilhar a mesma infraestrutura base, o que alteraria dinâmicas de liquidez, custódia e acesso a produtos.
Para o mercado brasileiro, o debate tem paralelos diretos. O Banco Central já restringiu o uso de Bitcoin e stablecoins em remessas internacionais, sinalizando que a fronteira entre inovação onchain e regulação local está sendo desenhada com velocidade. O avanço regulatório americano sobre derivativos onchain pode pressionar outros países a definirem suas próprias posições com mais urgência.
No Congresso dos EUA, o ambiente para legislação cripto segue em movimento. A aprovação de ETFs de Bitcoin já havia acelerado o debate regulatório americano, criando precedente para que produtos mais complexos, como perpétuos onchain, sigam o mesmo caminho.
Chervinsky não deu prazo específico para a aprovação de um marco regulatório para mercados onchain nos EUA, mas deixou claro que a expectativa do Hyperliquid Policy Center é que isso aconteça em futuro próximo.
O próximo teste prático será a disposição dos reguladores americanos de criar regras que acomodem derivativos descentralizados sem sufocar a inovação que os diferencia dos produtos tradicionais.
Perguntas frequentes
O que é o Hyperliquid Policy Center?
É uma organização independente de pesquisa e advocacy criada para defender regulação favorável à infraestrutura de mercado descentralizado nos Estados Unidos. Foi lançada em fevereiro de 2026 em Washington, D.C., com Jake Chervinsky como CEO, e tem US$ 29 milhões em tokens HYPE como suporte financeiro.
CME e ICE realmente precisariam adotar blockchain pública?
É a tese de Chervinsky, não uma decisão tomada pelas bolsas. Ele argumenta que a pressão competitiva de plataformas que já operam em blockchain pública forçará essa adaptação no horizonte de uma década. CME e ICE não se pronunciaram sobre a declaração.
O que são derivativos perpétuos onchain e por que estão no centro do debate?
São contratos de futuros sem data de vencimento que rodam diretamente em blockchain, sem intermediário centralizado. Chervinsky acredita que esse tipo de produto precisa ser enquadrado na regulação americana para atrair capital institucional e legitimar o setor perante os reguladores.


