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Pix lidera golpes online no Brasil e aparece como única forma de pagamento em um terço das fraudes virais

Relatório revela que o Pix aparece em um terço dos golpes online virais no Brasil. Saiba como criminosos utilizam marcas conhecidas para aplicar fraudes.

Golpes online utilizando Pix e marcas conhecidas para enganar consumidores brasileiros.

A seguir:

  1. Um terço dos golpes online analisados utilizava exclusivamente o Pix para receber pagamentos fraudulentos.
  2. Empresas populares e personalidades públicas aparecem em 74% dos golpes online para aumentar a confiança das vítimas.
  3. A maioria dos golpes online utiliza informações verdadeiras manipuladas para criar narrativas falsas mais convincentes.

Os golpes online continuam evoluindo no Brasil, mas um elemento permanece constante entre os criminosos digitais: o uso do Pix. Um levantamento divulgado pelo Observatório Lupa revelou que o sistema de pagamentos instantâneos aparece como única forma de pagamento em aproximadamente um terço dos golpes online mais compartilhados nas redes sociais brasileiras.

O estudo analisou 115 conteúdos fraudulentos que alcançaram grande repercussão entre maio de 2024 e abril de 2026. Além disso, os pesquisadores identificaram padrões repetitivos nas estratégias utilizadas pelos criminosos, demonstrando que grande parte dessas fraudes segue modelos previsíveis e facilmente replicáveis.

Golpes online com Pix exploram promessas de ganhos financeiros

De acordo com o relatório, cerca de 71% dos golpes online analisados utilizavam promessas de vantagens financeiras para atrair vítimas. Entre as abordagens mais comuns estavam falsas promoções, indenizações inexistentes, vagas de emprego fraudulentas, benefícios sociais falsos e supostos brindes gratuitos.

Nesse cenário, o Pix surge como uma ferramenta central para a execução dos golpes online. Em muitos casos, os criminosos exigem pequenas transferências alegando taxas administrativas, custos de liberação ou despesas operacionais para que a vítima receba um benefício que, na prática, não existe.

A facilidade das transferências instantâneas contribui para que os golpistas movimentem recursos rapidamente. Como resultado, as vítimas frequentemente percebem o prejuízo apenas depois que o dinheiro já foi transferido.

Golpes online utilizam marcas conhecidas para ganhar credibilidade

Outro dado relevante apontado pelo levantamento mostra que 74% dos golpes online exploraram a imagem de empresas, instituições ou personalidades conhecidas para transmitir confiança ao público.

Segundo a pesquisa, criminosos utilizaram indevidamente a identidade visual de diversas organizações para tornar as mensagens mais convincentes. Entre as marcas mais exploradas aparecem Mercado Livre e Nubank, ambas citadas em quatro ocorrências diferentes.

Além dessas empresas, nomes como Shopee, Serasa e Globo também figuram entre os mais utilizados pelos fraudadores.

Os pesquisadores destacam que o uso dessas marcas aumenta significativamente a sensação de legitimidade. Muitas pessoas acabam acreditando que estão diante de uma promoção oficial ou de uma campanha verdadeira, o que reduz a percepção de risco.

Golpes online reaproveitam fatos reais para enganar vítimas

O relatório também identificou uma prática cada vez mais frequente entre os criminosos digitais. Em 66% dos golpes online analisados, os fraudadores utilizaram informações verdadeiras como base para construir narrativas enganosas.

Na prática, eles manipulam notícias reais, comunicados oficiais, decisões judiciais, campanhas legítimas e programas governamentais para criar conteúdos aparentemente autênticos. Dessa forma, conseguem dificultar a identificação da fraude.

Esse percentual representa um crescimento em comparação ao levantamento anterior, quando 55% das fraudes já utilizavam algum elemento verdadeiro como ponto de partida para o golpe.

A estratégia tem se mostrado eficiente justamente porque mistura fatos legítimos com informações falsas. Como consequência, muitos usuários compartilham o conteúdo acreditando que ele possui credibilidade.

Redes sociais impulsionam a disseminação dos golpes online

As plataformas digitais continuam sendo o principal ambiente de circulação dos golpes online. O estudo aponta que as fraudes geralmente começam em redes sociais abertas e, posteriormente, migram para canais mais privados.

Inicialmente, os usuários entram em contato com anúncios, publicações patrocinadas ou conteúdos virais. Em seguida, os criminosos direcionam as vítimas para formulários de cadastro ou aplicativos de mensagens.

Nesse contexto, o WhatsApp apareceu em quase 65% dos golpes analisados entre maio de 2025 e abril de 2026, consolidando-se como um dos principais canais utilizados pelos fraudadores para ampliar o alcance das fraudes.

Além da coleta de dados pessoais, os aplicativos de mensagens facilitam a criação de um ambiente de confiança entre criminosos e vítimas, aumentando as chances de sucesso das abordagens.

Debate sobre a responsabilidade das plataformas digitais

O avanço dos golpes online também reacendeu discussões sobre o papel das plataformas digitais na prevenção de fraudes. Especialistas defendem uma atuação mais rigorosa na identificação de anúncios enganosos e conteúdos fraudulentos.

Para os pesquisadores do Observatório Lupa, compreender os padrões utilizados pelos criminosos representa uma das formas mais eficazes de combater esse tipo de ameaça. Como as estratégias se repetem com frequência, o conhecimento desses mecanismos pode ajudar usuários, empresas e instituições a identificar sinais de fraude antes que ocorram prejuízos.

Além disso, a cooperação entre empresas de tecnologia, instituições financeiras, órgãos públicos, veículos de comunicação e usuários é apontada como fundamental para reduzir o impacto dos golpes online no país.

Diante do crescimento dessas fraudes, especialistas reforçam que a atenção aos detalhes continua sendo uma das principais ferramentas de proteção. Promessas de dinheiro fácil, pedidos de pagamento antecipado via Pix e o uso indevido de marcas conhecidas seguem entre os sinais mais comuns presentes nos golpes online que circulam diariamente na internet brasileira.

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