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10 Milhões de Gigabytes: O roubo massivo que expôs os mísseis da China

Um hacker invadiu o supercomputador chinês de Tianjin e tenta vender 10 petabytes de dados militares secretos por criptomoedas. Entenda o caso.

Sala de servidores de supercomputador com atmosfera dramática e iluminação azul, representando invasão cibernética ao supercomputador chinês de Tianjin

A seguir:

  1. Um hacker alega ter invadido o supercomputador chinês de Tianjin e extraído mais de 10 petabytes de dados secretos ao longo de seis meses
  2. Os dados do supercomputador chinês incluem documentos militares classificados, esquemas de mísseis e pesquisas de defesa ligadas a organizações estratégicas do governo
  3. O acesso ao supercomputador chinês teria sido obtido via VPN comprometida, com extração distribuída por botnet para evitar detecção

Um hacker afirma ter invadido o supercomputador chinês, no Centro Nacional de Supercomputação (NSCC) em Tianjin, e roubado mais de 10 petabytes de dados altamente sensíveis, incluindo documentos classificados como secretos, esquemas de mísseis e simulações de equipamentos militares.

O caso representa, segundo especialistas em cibersegurança, potencialmente o maior vazamento de dados já registrado em território chinês.

O ataque teria ocorrido ao longo de aproximadamente seis meses, período em que o invasor extraiu silenciosamente volumes massivos de informação sem acionar qualquer alerta dos sistemas de defesa do centro.

Para contextualizar a dimensão do vazamento: um único petabyte equivale a mil terabytes, e um notebook de alta configuração comporta, em média, apenas um terabyte.

Como o hacker acessou o supercomputador chinês

De acordo com informações obtidas pelo pesquisador Marc Hofer, do blog NetAskari, o invasor entrou no sistema por meio de um domínio VPN comprometido.

Uma vez dentro da infraestrutura, ele implementou uma botnet, uma rede de programas automatizados, capaz de penetrar nos sistemas do NSCC e extrair os dados de forma distribuída e discreta.

A estratégia consistia em fragmentar a extração entre múltiplos servidores simultaneamente. Dessa forma, pequenas quantidades de dados saíam por diferentes pontos, reduzindo drasticamente o risco de detecção.

Qualquer analista de segurança teria muito mais dificuldade em perceber saídas de dados fracionadas do que um grande volume concentrado em um único destino.

Dakota Cary, consultor da empresa de cibersegurança SentinelOne com especialização em China, avaliou as amostras divulgadas e afirmou que o método, embora eficaz, não exigiu sofisticação técnica excepcional.

“Não foi nada particularmente incrível na forma como eles extraíram essas informações”, declarou Cary.

Os dados roubados do supercomputador de Tianjin

Um perfil identificado como FlamingChina publicou amostras do suposto conjunto de dados em um canal anônimo no Telegram em 6 de fevereiro.

O material alegadamente inclui pesquisas nas áreas de engenharia aeroespacial, pesquisa militar, bioinformática e simulação de fusão nuclear, além de arquivos técnicos e renderizações animadas de equipamentos de defesa como bombas e mísseis.

O grupo vincula os dados a organizações de alto perfil, como a Corporação da Indústria de Aviação da China, a Corporação Comercial de Aeronaves da China e a Universidade Nacional de Tecnologia de Defesa.

O acesso completo ao conjunto de dados teria um preço na casa das centenas de milhares de dólares, com pagamento exclusivo em criptomoedas.

A CNN, que noticiou o caso originalmente, conversou com múltiplos especialistas que avaliaram as amostras e concluíram que o material parece genuíno, embora a origem dos dados não possa ser verificada de forma independente.

Vulnerabilidade estrutural na infraestrutura tecnológica chinesa

O supercomputador de Tianjin, inaugurado em 2009 como o primeiro do gênero no país, presta serviços a mais de 6.000 clientes em toda a China, entre eles agências científicas avançadas e órgãos de defesa.

A maioria dessas organizações não mantém infraestrutura própria de supercomputação, o que torna o NSCC um ponto centralizado e, portanto, estrategicamente valioso para qualquer atacante.

A violação expõe uma fragilidade recorrente na cibersegurança chinesa. Em 2021, um banco de dados com informações de até um bilhão de cidadãos ficou acessível publicamente por mais de um ano antes de alguém tentar vendê-lo.

Cary ressalta que a cibersegurança precária na China não é novidade, e o próprio governo chinês reconhece isso: o Livro Branco de Segurança Nacional de 2025 listou a proteção de infraestruturas críticas de rede, dados e inteligência artificial como prioridade estratégica.

Interesse de governos estrangeiros nos dados do supercomputador

Segundo Hofer, o volume e a natureza das informações tornam o conjunto de dados extremamente atrativo para serviços de inteligência de estados adversários.

“Apenas eles provavelmente têm capacidade para processar todos esses dados e extrair algo útil”, afirmou o pesquisador.

Cary acrescenta que, embora vários governos possam ter interesse nos dados do NSCC, é possível que muitos deles já os possuam por outros meios.

O pagamento em criptomoedas reforça o caráter obscuro da negociação, dificultando o rastreamento das transações e a identificação dos compradores.

O caso ainda levanta questões sérias sobre a capacidade da China de proteger sua infraestrutura tecnológica em um momento em que o país disputa com os Estados Unidos a liderança global em inteligência artificial e inovação.


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