A inflação persistente continua pressionando o orçamento das famílias brasileiras. Novo Estudo Consumer Pulse da TransUnion, realizado no segundo trimestre de 2026, revela paradoxo: otimismo coexiste com sinais de cautela real.
A seguir:
- Paradoxo: 71% dos brasileiros otimistas sobre finanças nos próximos 12 meses, mas apenas 38% dizem que renda acompanha inflação
- Itens básicos são os mais impactados: supermercado (74%), combustível (54%), contas (52%)
- 49% reduziram gastos não essenciais; Gen Z lidera busca por novos créditos (49%); 74% com conta em banco digital
Levantamento ouviu 959 adultos entre 29 de abril e 13 de maio. Os números contam uma história em duas camadas.
Otimismo de longo prazo, pressão de curto prazo
Cerca de 71% dos brasileiros estão otimistas em relação às finanças para próximos 12 meses. Mas os dados coexistem com sinais de cautela. Apenas 38% afirmam que a renda acompanha inflação no último trimestre.
Pior: 62% dizem estar muito preocupados com alta dos preços. A pressão é mais sentida em itens essenciais. Supermercado (74%), combustível (54%) e contas de consumo (52%) são os mais impactados.
Helena Leite, especialista de mercado para setor bancário da TransUnion Brasil, interpreta:
“O brasileiro mantém o otimismo no longo prazo, mas o dia a dia exige um forte jogo de cintura. A inflação nos itens básicos força o consumidor a cortar o que é considerando como não essencial para equilibrar as contas.”
Cortes em gastos não essenciais
A pressão no orçamento tem levado consumidores a rever prioridades. Quase metade (49%) reduziu gastos não essenciais nos últimos três meses, refeições fora de casa, viagens.
Também relevante: 21% cancelaram ou diminuíram serviços digitais. A retirada de crédito não é generalizada, mas seletiva. Essencial protege; luxo é cortado.
Gerações em estratégias diferentes
As gerações lidam com inflação de forma distinta.
Gen Z (18 a 29 anos) e Millennials (30 a 45) estão 78% otimistas quanto às finanças para próximos 12 meses. Mas Gen Z vai além, 49% planeja solicitar novos créditos nos próximos 12 meses, maior percentual entre grupos etários.
Gen Z também cancelou ou reduziu serviços digitais mais que a média (27% contra 21%) e afirmou que recorreria a empréstimo de FinTechs (24% contra 11% de todos).
Millennials têm perfil diferente. Usam fintechs, bancos digitais e BNPL (“compre agora, pague depois”) em percentual maior que todas gerações (59%), mas com planejamento mais estruturado.
Gen X (46 a 61 anos) e Baby Boomers (62+) mantêm postura conservadora. Apenas 20% dos Boomers e 27% da Gen X planejam contratar novos créditos no próximo ano.

Bancos digitais no centro da vida financeira
A pesquisa reforça avanço dos bancos digitais. Entre usuários de produtos digitais, FinTech ou BNPL, 74% afirmam que sua conta ou produto principal está em instituição digital. Era 56% no segundo trimestre de 2025.
A preferência continua em intenções futuras. Sessenta e dois por cento responderam que priorizariam essas instituições ao buscar novas linhas de crédito.
A especialista da TransUnion complementa:
“A evolução da participação dos bancos digitais reflete uma transformação significativa na forma como os brasileiros se relacionam com o sistema financeiro. Conveniência, experiência e agilidade fizeram com que essas instituições deixassem de ser secundárias e passassem a ocupar o centro da vida financeira dos clientes.”
Contexto macro para finanças alternativas
A pressão inflacionária, combinada com busca por crédito (especialmente Gen Z) e adoção massiva de bancos digitais, estabelece contexto importante. Consumidores buscam alternativas que ofereçam flexibilidade, velocidade e transparência, exatamente o que propostas de dólar digital e fintechs prometem.
A mudança não é reversível. O brasileiro aprendeu que banco digital é possível. Agora quer mais: renda, crédito e dolarização, produtos que bloco de bancos tradicionais entrega mais lentamente.


