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Mercado cripto brasileiro entra em nova fase regulatória pelo BC

Exchanges precisam de licença do BC para operar, investidores passam por KYC reforçado. Entenda o que muda e quais riscos ainda persistem.

Fachada institucional do Banco Central do Brasil em Brasília, com a placa e o brasão visíveis, ladeada por uma fila discreta de cofres digitais ou dispositivos de hardware wallet e

O mercado de criptoativos no Brasil entrou em uma fase mais regulada a partir do fim de outubro, com o Banco Central assumindo o papel de supervisor das empresas que intermediam, custodiam ou negociam cripto no país.

A seguir:

  • O que é a licença PSAV e quem precisa tê-la
  • O que muda na prática para o investidor brasileiro
  • Os riscos que a regulação atual ainda não resolve

O prazo central dessa virada foi 30 de outubro: até essa data, as empresas que já atuavam no país precisavam solicitar ao Banco Central autorização para operar como Prestadoras de Serviços de Ativos Virtuais (PSAVs).

Quem não pediu a licença e quiser continuar funcionando precisa comunicar previamente o BC e cumprir as mesmas regras aplicadas ao setor.

A lógica é a mesma do sistema financeiro tradicional. Assim como nenhuma instituição abre um banco no Brasil sem autorização do regulador, a partir de agora a mesma exigência vale para quem oferece serviços com criptoativos.

A figura da PSAV cobre as atividades de intermediação, custódia e negociação de cripto, tornando a licença obrigatória para qualquer empresa nesse segmento.

Para o investidor, as mudanças mais visíveis são o cadastro completo, o teste de perfil de investidor e a identificação obrigatória em transferências. As corretoras passam a cumprir padrões de KYC (know your customer) e KYT (know your transaction), os mesmos exigidos de qualquer instituição financeira regulada pelo BC.

O que o investidor ganha com a regulação

A supervisão do Banco Central traz mais previsibilidade operacional para as exchanges e, em teoria, mais segurança para quem investe. As corretoras precisarão seguir regras de prevenção à lavagem de dinheiro e controle de transações suspeitas, o que reduz o risco de a plataforma ser usada para fins ilícitos sem que o investidor saiba.

A ABcripto, associação do setor, avalia que a concorrência deve se manter e as opções para o investidor devem aumentar. Fabio Plein, diretor regional da Coinbase no Brasil, reforçou esse ponto ao afirmar que o mercado não comporta repasse de custos aos usuários.

“Não há espaço para as empresas repassarem esse aumento de custos aos usuários.”

O argumento é que a competição entre as corretoras, incluindo as internacionais que também atuam no Brasil, funciona como freio natural para o aumento de tarifas. Com mais empresas disputando o mesmo cliente, elevar spread ou taxa de saque seria uma desvantagem competitiva imediata.

O risco que a regulação ainda não resolve

Apesar dos avanços, um ponto sensível persiste: a segregação patrimonial dos ativos dos clientes. A regulação atual exige separação operacional entre o patrimônio da corretora e o dos usuários, mas essa garantia ainda não está expressa em lei.

O PL 4.932/2023, que tramita no Congresso, busca resolver essa lacuna ao estabelecer a segregação patrimonial por lei. Enquanto o projeto não é aprovado, o investidor que mantém saldo em corretoras fica exposto a esse risco em caso de insolvência da plataforma, como já ocorreu em casos emblemáticos em outros mercados.

A Binance divulgou que os criptoativos de clientes brasileiros estão segregados, mas a garantia legal ainda depende do texto definitivo do projeto.

Pequenas corretoras e concentração do mercado

Uma preocupação levantada por especialistas do setor é o efeito da regulação sobre os players menores. Os requisitos de compliance, tecnologia e capital exigidos pelo BC têm custo relevante, e nem toda corretora de menor porte consegue arcar sem ajuda.

Se as corretoras menores saírem do mercado por não conseguirem a licença PSAV, o consumidor pode acabar com menos opções de plataforma, ainda que as grandes exchanges internacionais sigam disponíveis.

O BC ainda vai definir os parâmetros exatos de capital mínimo e estrutura operacional exigidos, o que deve moldar a extensão desse efeito de concentração.

A parceria entre ABcripto e Chainalysis para capacitar reguladores e o mercado é um sinal de que o setor aposta na formação técnica como caminho para equilibrar supervisão e competitividade.

O monitoramento on-chain, que a nova regulação reforça indiretamente ao exigir KYT, deve aumentar a rastreabilidade das transações e reduzir brechas para fraudes e golpes dentro das plataformas licenciadas.

O arcabouço regulatório do BC acompanha uma tendência global de formalização do setor cripto.

No Brasil, a mudança consolida o Banco Central como o principal regulador das PSAVs, enquanto a CVM segue com jurisdição sobre os criptoativos considerados valores mobiliários, mantendo uma divisão de competências que o mercado aguarda ver detalhada em normas específicas.

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