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Ripple e CSD BR tokenizam cotas do BTG Pactual no XRP Ledger em operação real

Ripple e CSD BR anunciam parceria para tokenizar cotas de fundos do BTG Pactual no XRP Ledger usando padrão MPT em ambiente regulado.

Ripple e CSD BR tokenizam cotas do BTG Pactual no XRP Ledger em operação real

Depositária central regulada pelo Bacen, CVM e SUSEP passa a espelhar ativos financeiros no XRP Ledger, marcando a estreia da tecnologia em operação real no mercado brasileiro.

A seguir:

  • Como funciona o espelhamento de cotas do BTG Pactual no XRPL
  • Por que o ambiente é permissionado e quem pode acessar
  • Quais ativos vêm na próxima fase da parceria

A Ripple anunciou, em 29 de setembro de 2026, uma parceria estratégica com a CSD BR, infraestrutura de mercado financeiro autorizada a operar como registradora, depositária central de valores mobiliários e sistema de liquidação no Brasil, para usar o XRP Ledger (XRPL) como camada adicional de registro e auditoria de ativos financeiros.

O comunicado foi publicado diretamente no site oficial da Ripple, descrevendo o projeto como a passagem da tokenização de ativos “de testes controlados para operação real em ambiente de mercado“.

Na primeira fase, as cotas de fundos de investimento do BTG Pactual mantidas pela CSD BR serão tokenizadas e espelhadas no XRPL usando o padrão Multi-Purpose Token (MPT). O registro oficial dos ativos permanece nos sistemas da CSD BR; a blockchain funciona como registro paralelo e camada de auditoria.

A iniciativa, noticiada pelo Valor Econômico, coloca a CSD BR como o primeiro depositário central regulado a espelhar fundos brasileiros no XRP Ledger.

Como funciona o espelhamento de cotas do BTG Pactual no XRP Ledger?

O modelo adotado não transfere a custódia dos ativos para a blockchain. As cotas continuam registradas nos sistemas da CSD BR, e o XRPL recebe uma cópia estruturada dessas informações no formato MPT, padrão nativo do XRP Ledger desenhado para representar ativos do mundo real com metadados de conformidade. Isso permite rastreabilidade e auditoria em tempo real sem alterar o fluxo regulatório existente.

A abordagem é deliberadamente conservadora. Ao manter o registro oficial fora da cadeia, a parceria contorna os riscos de dependência de uma infraestrutura ainda em maturação e facilita a aprovação regulatória junto ao Banco Central, à CVM e à SUSEP, os três órgãos que autorizam a operação da CSD BR.

O caminho gradual é o mesmo que o mercado financeiro global tem adotado para aproximar finanças tradicionais e blockchain sem ruptura abrupta.

Quem pode acessar esse ambiente tokenizado e por quê ele é fechado?

O ambiente é permissionado: apenas clientes corporativos e instituições bancárias que cumpram requisitos de KYC e AML terão acesso. Não há abertura para investidores de varejo nesta primeira fase.

A restrição reflete tanto exigências regulatórias quanto a natureza dos ativos envolvidos, cotas de fundos institucionais do BTG Pactual não são instrumentos de acesso livre.

A escolha por um ambiente fechado também reduz o risco operacional durante a fase de validação. Erros em contratos inteligentes ou inconsistências de dados afetariam um conjunto controlado de participantes, facilitando correção sem impacto sistêmico.

É o mesmo princípio que o Banco Central usou no Drex ao limitar os testes a consórcios selecionados antes de qualquer abertura ampla.

O que vem depois: CRI, CRA e emissão nativa de ativos

O plano prevê expansão gradual para emissão nativa de ativos diretamente no XRPL. Na próxima fase, a parceria mira Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) e Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA), dois instrumentos de renda fixa privada relevantes no mercado brasileiro e que hoje circulam em infraestrutura tradicional.

A emissão nativa significa que o ativo nasceria já na blockchain, sem precisar de espelhamento.

Conforme detalhado pelo CoinDesk, a CSD BR supervisiona um mercado avaliado em cerca de 4 trilhões de dólares em ativos. Trazer mesmo uma fração desse volume para o XRPL representaria uma das maiores operações de tokenização de ativos reais já registradas em blockchain pública.

O movimento ocorre num momento em que o Brasil avança, e também impõe restrições pontuais, no uso de criptoativos em operações financeiras reguladas, como quando o Banco Central proibiu Bitcoin e stablecoins em remessas internacionais, demarcando onde a fronteira regulatória ainda está fechada.

Para a Ripple, o acordo é mais um passo na estratégia de posicionar o XRPL como infraestrutura para mercados financeiros regulados, diferente do uso especulativo que dominou os ciclos anteriores do setor.

Para o Brasil, é um sinal de que a tokenização de ativos tradicionais deixou o laboratório e entrou no balanço de instituições reais, num ecossistema que já conta com ao menos oito stablecoins em reais em operação.

Perguntas frequentes

O XRP vira moeda de liquidação nessa parceria?

Não, ao menos nesta primeira fase. O XRP Ledger é usado como camada de registro e auditoria, não como moeda de liquidação das cotas. A liquidação financeira continua nos sistemas tradicionais da CSD BR.

Meu fundo no BTG Pactual passa a estar na blockchain automaticamente?

Apenas as cotas mantidas sob custódia da CSD BR serão espelhadas no XRPL, e o acesso ao ambiente tokenizado é restrito a clientes corporativos e instituições bancárias com KYC e AML aprovados. Investidores de varejo não têm acesso direto a essa camada neste momento.

Qual é a diferença entre espelhar e emitir nativamente na blockchain?

Espelhar significa copiar dados de um ativo que existe em sistema externo para a blockchain, o registro oficial permanece fora da cadeia. Emitir nativamente significa que o ativo nasce diretamente na blockchain, sem duplicação. A parceria começa com espelhamento e planeja avançar para emissão nativa de CRI e CRA em fases futuras.

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