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Stablecoins avançam como infraestrutura de pagamentos e aproximam blockchain da rotina financeira

Com crescimento do uso de ativos digitais atrelados ao dólar, empresas brasileiras desenvolvem soluções que conectam Pix, blockchain e pagamentos internacionais.

América Latina moveu US$ 1,5 tri em cripto; Brasil lidera stablecoins

Depois de anos em que blockchain esteve associada principalmente à negociação de criptomoedas, uma nova frente começa a ganhar espaço no mercado: o uso da tecnologia como infraestrutura para movimentar dinheiro. Nesse cenário, as stablecoins, ativos digitais vinculados a moedas como o dólar, avançam em aplicações relacionadas a pagamentos, transferências internacionais e integração entre diferentes sistemas financeiros.

A mudança acompanha o crescimento desses ativos no Brasil. Dados da Receita Federal mostram que, entre agosto de 2019 e setembro de 2025, brasileiros declararam R$ 1,58 trilhão em operações de compra e venda de criptoativos, sendo cerca de R$ 1,13 trilhão relacionado a stablecoins.

O avanço coloca o país diante de uma nova discussão: como transformar uma tecnologia que ganhou escala no mercado de ativos digitais em infraestrutura capaz de resolver demandas financeiras cotidianas.

Para empresas brasileiras de tecnologia, uma das principais oportunidades está justamente na conexão entre a infraestrutura blockchain e sistemas que o usuário já utiliza, como o Pix. É nessa frente que atua a DSEC Labs, empresa brasileira de infraestrutura blockchain para pagamentos e ativos digitais. A companhia desenvolveu a DOMINI, conta digital que conecta Pix a ativos como Bitcoin, USDT e USDC para facilitar pagamentos e recebimentos nacionais e internacionais.

“A blockchain começa a entrar em uma fase em que o usuário não precisa necessariamente saber que está utilizando essa tecnologia. O que ele quer é receber, pagar, converter e movimentar recursos de maneira simples. Quanto mais essa infraestrutura conseguir conversar com sistemas que já fazem parte da rotina financeira, maior tende a ser sua adoção”, afirma Leonardo Maximiliano, cofundador e CEO da DSEC Labs.

Stablecoins ganham espaço fora do mercado de investimentos

A expansão das stablecoins ajuda a explicar essa transformação. Diferentemente de ativos digitais sujeitos a grandes oscilações de preço, stablecoins como USDT e USDC buscam acompanhar o valor de moedas tradicionais, principalmente o dólar.

Essa característica ampliou as possibilidades de utilização para além da negociação de criptoativos. Empresas do setor vêm desenvolvendo aplicações para pagamentos internacionais, remessas, liquidação de operações e conexão entre diferentes plataformas.

Para profissionais e companhias que recebem recursos do exterior, por exemplo, uma operação pode envolver bancos correspondentes, plataformas de câmbio e diferentes processos de conciliação. A infraestrutura blockchain cria novas possibilidades para conectar etapas dessa jornada, embora sua utilização continue sujeita às exigências financeiras e regulatórias aplicáveis a cada operação.

“O ponto mais interessante dessa transformação é que stablecoin começa a deixar de ser discutida apenas como um ativo e passa a ser observada como uma infraestrutura para movimentação de valor. Para empresas e profissionais que operam entre diferentes mercados, existe uma demanda concreta por experiências mais integradas. É aí que blockchain começa a encontrar aplicações que vão além do universo cripto”, explica Guilherme Campos, cofundador e COO da DSEC Labs.

Pix e blockchain começam a dividir a mesma infraestrutura

No Brasil, essa transformação encontra um mercado particularmente digitalizado. A popularização do Pix habituou consumidores e empresas a pagamentos instantâneos e criou uma referência de experiência que também influencia o desenvolvimento de novos produtos financeiros.

A tendência, segundo a DSEC Labs, não é substituir sistemas como o Pix, mas construir conexões entre infraestruturas tradicionais e blockchain.

Na DOMINI, por exemplo, a tecnologia funciona nos bastidores de uma experiência semelhante à de uma conta digital. A solução reúne possibilidades de movimentação entre Pix, Bitcoin, USDT e USDC e foi desenvolvida para profissionais que recebem do exterior, prestadores de serviços, profissionais liberais e empresas que precisam movimentar recursos entre diferentes mercados.

A companhia também desenvolve infraestrutura white label para empresas interessadas em oferecer produtos financeiros e serviços relacionados a ativos digitais sem precisar construir toda a arquitetura tecnológica internamente.

“A próxima etapa desse mercado não será definida por uma disputa entre sistema financeiro tradicional e blockchain. O caminho tende a ser de integração. O Pix resolveu muito bem uma parte da experiência doméstica brasileira, enquanto blockchain e stablecoins abrem outras possibilidades de conexão. O desafio agora é fazer essas infraestruturas conversarem de forma simples, segura e transparente para o usuário”, afirma Maximiliano.

DSEC Labs movimenta R$ 59,3 milhões em 2026

O avanço das aplicações financeiras já aparece nos resultados da companhia. Em 2026, a DSEC Labs registrou R$ 3,2 milhões em faturamento e R$ 59,3 milhões movimentados por meio de seus produtos financeiros e projetos de tecnologia.

Somente a DOMINI respondeu por R$ 16,7 milhões do volume movimentado e aproximadamente R$ 870 mil em receita bruta. A companhia conta atualmente com uma equipe de 30 profissionais e informa que suas soluções são utilizadas por 16 empresas.

Além da conta digital, o ecossistema da DSEC Labs reúne o Alfred Space, operações OTC, soluções de autocustódia, projetos white label, tokenização e automação.

Para a companhia, os números refletem uma mudança no tipo de demanda recebida pelo setor. Se anteriormente muitas empresas procuravam blockchain para desenvolver provas de conceito ou testar novas tecnologias, agora cresce o interesse por aplicações ligadas diretamente à operação financeira.

A blockchain pode ficar cada vez mais invisível

A consolidação desse mercado pode provocar ainda outra mudança: tornar a própria blockchain menos perceptível para o usuário.

O movimento é semelhante ao observado em outras tecnologias que ganharam escala. Hoje, consumidores utilizam serviços em nuvem, APIs e diferentes sistemas de processamento sem precisar conhecer a infraestrutura tecnológica por trás de cada operação.

Para a DSEC Labs, pagamentos baseados em blockchain tendem a seguir caminho semelhante. O usuário poderá utilizar uma conta, receber recursos ou realizar uma transferência enquanto diferentes sistemas trabalham nos bastidores para processar aquela operação.

“Durante muito tempo, o mercado precisou explicar blockchain para convencer as pessoas a utilizá-la. A maturidade chega justamente quando isso deixa de ser necessário. A tecnologia precisa resolver um problema concreto e desaparecer da experiência. Quando o usuário percebe apenas que recebeu ou movimentou seu dinheiro de forma simples, a infraestrutura cumpriu seu papel”, conclui Maximiliano.

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