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As big techs que mais lucraram em 2026 são as que mais demitiram

Oracle, Meta, Amazon e outras gigantes demitem dezenas de milhares enquanto lucros sobem. Entenda por que a IA está no centro dessa contradição.

Big Techs lucram recordes em 2026 e demitem 100 mil culpando a IA

A Oracle revelou na segunda-feira que reduziu seu quadro de funcionários em 21.000 pessoas nos últimos 12 meses, uma queda de 13%.

A divulgação veio em um registro anual na SEC, enquanto a empresa reportava lucro trimestral de US$ 3,7 bilhões, alta de 27% ano a ano.

Mas a Oracle não está sozinha. De janeiro a junho de 2026, empresas como Meta, Amazon, Cloudflare e Coinbase cortaram dezenas de milhares de vagas. Em todas elas, a justificativa foi a mesma: inteligência artificial.

A seguir:

  • Quais são as maiores demissões de 2026 e quanto cada empresa lucrou no mesmo período
  • Por que a IA está sendo usada como argumento para cortes que analistas associam a outro motivo
  • O que muda para profissionais de tecnologia, incluindo os que trabalham com cripto e Web3

A onda de demissões que não para

Maio de 2026 registrou o maior volume de demissões no setor de tecnologia em anos, segundo a consultoria Challenger, Gray & Christmas. E a inteligência artificial foi a razão mais citada pelos empregadores.

O padrão se repete: receita em alta, lucro batendo recordes, cortes anunciados. A contradição é explícita nos números.

Os cortes e os lucros, lado a lado

A Amazon cortou 16.000 vagas corporativas em janeiro de 2026, somando 14.000 cortes adicionais de outubro de 2025. O CEO Andy Jassy havia declarado, em junho de 2025, que a IA generativa “mudaria a forma como o trabalho é feito” e que a empresa precisaria de “menos pessoas em alguns cargos que existem hoje”.

A Meta foi mais longe. Em maio, a empresa demitiu 8.000 funcionários, cerca de 10% do quadro, enquanto realocava outros 7.000 para novas funções de IA. Mark Zuckerberg disse aos colaboradores que “o sucesso não é garantido” na corrida por inteligência artificial. Contudo, a empresa não divulgou queda de receita.

A Cloudflare demitiu 1.100 pessoas, 20% de toda a empresa, no mesmo trimestre em que registrou receita de US$ 639,8 milhões, alta de 34% ano a ano e o melhor trimestre da história da companhia. O CEO Matthew Prince foi direto: a maioria dos demitidos eram “medidores“, suas palavras para descrever gestores intermediários, equipes financeiras e de auditoria interna.

IA ou enxugamento de pandemia?

Não é só a IA que explica os cortes. Analistas do TechCrunch apontaram em junho de 2026 que muitas dessas vagas foram criadas durante o boom de contratações da pandemia, entre 2020 e 2022. A IA seria, em parte, um argumento conveniente para uma reestruturação que teria acontecido de qualquer forma.

Mas a narrativa tem peso real também. O CEO da Coinbase, Brian Armstrong, afirmou que:

“Engenheiros usam IA para entregar em dias o que antes levava semanas com uma equipe inteira”.

A exchange cortou 700 funcionários, ou 14% do quadro, e anunciou experimentos com “equipes de uma pessoa”, combinando engenharia, design e produto num só profissional.

Quem demitiu, quanto cortou e por quê

EmpresaDemissões% do quadroPeríodo
Oracle21.00013%12 meses até jun/26
Amazon30.000+~9% corporativoout/25 a jan/26
Meta8.00010%maio/26
IBM15.000+ acumuladovariáveldesde set/24
PayPal4.500+~20%próx. 2-3 anos
Dell11.00010%ano fiscal 2026
Snap1.00016%abr/26
Intuit3.00017%maio/26
Cloudflare1.10020%maio/26
Coinbase70014%maio/26
Block4.000~40%fev/26
Atlassian1.60010%mar/26
GitLab35014%jun/26

O caso da Block, de Jack Dorsey, é o mais radical da lista. A empresa cortou quase metade do quadro, caindo de mais de 10.000 para menos de 6.000 funcionários. Dorsey escreveu no X que:

“Equipes menores e mais horizontais, combinadas com ferramentas de inteligência, criam uma nova forma de construir e operar empresas”.

Nesse sentido, ele foi além: “Acredito que a maioria das empresas chegará à mesma conclusão dentro de um ano”.

O que isso significa para o mercado cripto e Web3

A Coinbase é a empresa mais relevante para o ecossistema cripto nessa lista. Os cortes de maio de 2026 não vieram de crise operacional. A empresa achatou sua estrutura organizacional para cinco camadas abaixo do CEO e COO. Depois, anunciou que testaria times mínimos para lançar produtos.

Portanto, o modelo de “engenheiro solo com IA” já está sendo testado na maior exchange listada dos Estados Unidos. Isso tem implicação direta para startups de Web3 e protocolos DeFi: as referências de custo e velocidade estão mudando.

O papel da IBM e dos agentes de IA em RH

A IBM foi além dos cortes de desenvolvedores. A empresa substituiu 200 posições de RH por agentes de IA. Ao mesmo tempo, planeja triplicar contratações para funções de IA e nuvem híbrida em nível de entrada nos Estados Unidos.

Ou seja: a IA não está apenas reduzindo equipes técnicas. Ela está eliminando funções administrativas que pareciam protegidas da automação.

O que os CEOs estão dizendo, nos seus próprios termos

Algumas citações revelam a lógica que está guiando as decisões. O CEO da Atlassian, Mike Cannon-Brookes, foi o mais equilibrado:

“Nossa abordagem não é ‘IA substitui pessoas’. Mas seria desonesto fingir que a IA não muda o mix de habilidades que precisamos.”

Já o CEO da Salesforce, Marc Benioff, foi mais direto. Depois de cortar cerca de 4.000 vagas de suporte ao cliente, ele disse que a empresa precisava de “menos cabeças” porque os agentes de IA fazem o trabalho.

Contudo, a Cisco ofereceu uma narrativa diferente. O CFO Mark Patterson afirmou que os cortes de 4.000 postos não foram motivados por economia:

“Essa não foi uma reestruturação orientada a redução de custos. É mais sobre realinhar recursos em torno de silício, óptica, segurança e IA.”

O que vem a seguir

A GitLab entrou para a lista em junho de 2026 com cortes de 350 pessoas, 14% do quadro, para financiar investimentos em infraestrutura de IA. O CEO Bill Staples afirmou que a empresa passava por uma “reconstrução geracional” para suportar cargas de trabalho de agentes em escala de 100 vezes o atual.

A empresa já está saindo de 22 países. Isso é relevante para o mercado LATAM: presença global de plataformas de desenvolvimento pode diminuir, concentrando ainda mais a infraestrutura de tecnologia em poucos centros.

Por fim, o padrão de 2026 deixa uma questão sem resposta fácil: se receita cresce, lucro bate recordes e ainda assim o emprego encolhe, em que ponto a narrativa da eficiência via IA se transforma em concentração estrutural de renda? Essa tensão vai definir o debate regulatório sobre trabalho e tecnologia nos próximos anos.

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