A seguir:
- A exchange protocolou o pedido de licença como SPSAV por meio da BBrasil, mas ainda aguarda a decisão do regulador.
- A estrutura brasileira inclui contas individualizadas e integração com o sistema de pagamentos instantâneos.
- Binance reforça controles de segurança: a empresa destaca a avaliação técnica de quase 900 itens, as provas de reservas e o fundo SAFU.
A Binance solicitou uma licença ao Banco Central por meio da BBrasil Sociedade Prestadora de Serviços de Ativos Virtuais Ltda., empresa que integra o grupo. O pedido contempla a atuação como Sociedade Prestadora de Serviços de Ativos Virtuais (SPSAV), conforme as exigências regulatórias brasileiras.
Com essa iniciativa, a exchange pretende manter uma estrutura que reúna diferentes soluções financeiras em um único ambiente. Dessa forma, os clientes poderão acessar ativos digitais, negociar stablecoins, realizar pagamentos e utilizar outros serviços por meio de uma única conta.
Além disso, a companhia busca facilitar o acesso dos brasileiros a oportunidades financeiras internacionais. A proposta envolve operações disponíveis 24 horas por dia, com foco em custos competitivos, segurança e transparência.
O protocolo do pedido, entretanto, não significa que o Banco Central já concedeu a autorização. A empresa ainda precisa passar pela análise regulatória antes de obter a licença solicitada.
Binance adapta operações às regras do Banco Central
O pedido da Binance segue as Resoluções 519, 520 e 521 do Banco Central, que estabelecem requisitos para empresas que atuam com ativos virtuais no país.
Entre as exigências estão a separação dos recursos dos clientes e do patrimônio das empresas, a manutenção de contas individualizadas e a custódia dos ativos conforme as condições estabelecidas pelo regulador.
Segundo Thiago Sarandy, diretor-geral da Binance no Brasil, a solicitação representa um avanço importante para a continuidade das operações no mercado nacional.
O executivo também destacou que a companhia espera manter o diálogo com o Banco Central para, futuramente, voltar a oferecer produtos que precisou descontinuar em razão das regras brasileiras.
A Binance pretende conciliar o cumprimento das exigências regulatórias com a oferta de serviços financeiros mais diversificados. No entanto, a disponibilidade de novos produtos dependerá das autorizações e das normas aplicáveis.
Binance integra Pix e contas individualizadas à sua estrutura
A Binance também conta com a Binance Brasil Corretora de Câmbio e Valores Mobiliários S.A., anteriormente conhecida como Sim;paul, para estruturar parte de suas operações financeiras no país.
Inicialmente, essa empresa ficará responsável pelas contas de pagamento individualizadas e pela integração direta com o Pix. Assim, os usuários brasileiros terão acesso a movimentações em reais dentro da estrutura financeira do grupo.
Paralelamente, a corretora pretende incorporar serviços relacionados a ativos virtuais ao seu portfólio. Para isso, passou por uma avaliação técnica independente conduzida pela CertiK.
A análise contemplou quase 900 itens, incluindo infraestrutura tecnológica, governança, segurança da informação, proteção dos recursos dos clientes e mecanismos de prevenção à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo.
A companhia encaminhou a certificação ao Banco Central em 1º de setembro de 2026. Conforme as informações divulgadas pela Binance, o documento continua sob análise da autoridade monetária.
Binance reforça segurança e aposta em compliance
A Binance também apresentou seus mecanismos de segurança e conformidade como parte da estratégia para ampliar a atuação no mercado brasileiro.
Desde 2022, a empresa publica mensalmente provas de reservas para demonstrar os ativos que mantém em sua plataforma. Além disso, administra o fundo de proteção SAFU, que, segundo a companhia, possui mais de US$ 1 bilhão.
O fundo busca oferecer uma camada adicional de proteção aos usuários diante de determinados incidentes de segurança, incluindo ataques cibernéticos.
Para Sarandy, a combinação entre regulação, transparência e controles internos pode contribuir para reduzir fraudes e proteger os consumidores.
A empresa também considera que uma estrutura regulatória previsível pode favorecer a inovação e estimular a participação de novos usuários no mercado de criptomoedas.
Binance considera Brasil estratégico para expansão
O Brasil ocupa uma posição importante nos planos da Binance. A companhia cita dados da Chainalysis sobre a adoção de criptomoedas para destacar a relevância do mercado nacional.
Globalmente, a Binance informa possuir mais de 330 milhões de usuários e ter movimentado US$ 34 trilhões em negociações durante 2025.
Com o pedido de licença, a empresa pretende consolidar sua presença no Brasil e integrar serviços de ativos digitais a soluções financeiras tradicionais.
Agora, o avanço dessa estratégia depende da avaliação do Banco Central e do cumprimento das exigências regulatórias. Enquanto isso, a Binance mantém o objetivo de ampliar sua oferta de serviços aos brasileiros dentro das condições permitidas pela legislação.


