A fintech argentina bloqueou novos depósitos e vai excluir as contas brasileiras em 16 de outubro, duas semanas antes do prazo do Banco Central.
A seguir:
- O que muda a partir de hoje para quem tem conta na Lemon
- O prazo regulatório que coincide com a saída
- As perguntas que a empresa ainda não respondeu
A Lemon, fintech cripto argentina, anunciou nesta quarta-feira (16) o fim de suas operações no Brasil. Em comunicado aos clientes, a empresa culpa a nova regulamentação do setor. Segundo a Lemon, as regras e exigências não favorecem o desenvolvimento de produtos como os dela.
Desde hoje, os usuários brasileiros não conseguem mais adicionar dinheiro à conta. As contas serão excluídas automaticamente em 16 de outubro de 2026. As operações na Argentina, Colômbia e Peru seguem normais.
O que muda para quem tem conta na Lemon
O prazo é de 30 dias. O comunicado não explica como sacar o saldo em reais nem como transferir criptoativos para outra plataforma. Também não diz o que acontece com os recursos que não forem retirados até a data da exclusão.
Por ora, o atendimento é feito pelo suporte no app ou pelo e-mail [email protected]. A empresa promete avisar por e-mail quando cada conta for excluída. Dessa forma, quem ainda tem saldo deve confirmar com o suporte as opções de retirada antes de 16 de outubro.

A regulação por trás da saída
A Lemon não disse qual norma motivou a decisão. O Banco Central publicou as Resoluções BCB nº 519, 520 e 521 em novembro de 2025. Segundo apresentação do Banco Central, quem quiser atuar como prestadora de serviços de ativos virtuais precisa de autorização formal, e as regras valem desde 2 de fevereiro de 2026.
A data decisiva, no entanto, vem depois. Operações sem autorização ficam vedadas a partir de 30 de outubro de 2026. Até lá, as empresas já em atividade precisam protocolar a primeira fase do pedido. O TechCripto detalhou as cinco exigências do Banco Central que podem barrar exchanges.
Portanto, a Lemon fecha as contas duas semanas antes desse limite. A empresa não informou se chegou a iniciar o pedido de autorização.
Uma expansão que nunca engatou
A Lemon chegou ao Brasil em março de 2022, com a meta de fechar aquele ano com mais de 1 milhão de usuários no país, segundo a Forbes Argentina. Em novembro do mesmo ano, porém, a empresa cortou 38% da equipe, e o CEO Marcelo Cavazzoli disse que a atuação brasileira seria “mais estratégica e de nicho”.
Em outubro de 2025, a Lemon captou US$ 20 milhões em rodada Série B liderada por F-Prime e ParaFi, com a promessa de expandir por toda a América Latina, conforme o blog oficial da empresa. A Fintech Futures listou o Brasil entre os mercados-alvo dessa expansão.
Inclusive, a página do app na Google Play ainda convida brasileiros a entrar na lista de espera do cartão Visa Lemon. Menos de um ano depois da rodada, o plano brasileiro foi desfeito.
O que a Lemon ainda não explicou
A empresa não divulgou quantos usuários brasileiros tinha nem quanto mantinha em custódia para eles. Além disso, fica uma dúvida para turistas argentinos. A Lemon permite que eles paguem via Pix no Brasil usando pesos ou USDT pelo app, e o comunicado não diz se essa função continua.
Por fim, o prazo de 30 de outubro deve forçar outras decisões no setor. Há alternativas ao pedido direto de autorização, como a estrutura criada por um advogado para operar cripto fora das regras do BC. Ainda assim, a saída da Lemon pode não ser a última.


