A Medida Provisória 1303/2025, proposta pelo governo brasileiro, promete reformular a tributação sobre criptoativos. No entanto, especialistas alertam para impactos severos sobre investidores e usuários comuns.
A contadora Ana Paula Rabello, referência em contabilidade digital, revelou que a MP pode transformar ganhos em prejuízos, especialmente para quem opera com valores menores. Dessa forma, o texto atual levanta preocupações sobre justiça fiscal, competitividade global e segurança jurídica no setor cripto.
A visão técnica da contadora cripto sobre a MP 1303
A especialista detalhou os principais pontos da proposta, destacando como ela afeta diretamente o cotidiano dos investidores brasileiros.
A MP extingue a isenção de R$ 35 mil mensais para ganhos de capital com criptoativos. Sendo assim, qualquer venda, mesmo de valores baixos, passa a ser tributada com alíquota fixa de 17,5%. Em contrapartida, o mercado de ações mantém essa isenção, o que revela um tratamento desigual entre classes de ativos.
Tributação seletiva e discurso contraditório
Durante audiência pública, o Secretário da Receita Federal afirmou que a isenção para ações visa incentivar o mercado de bolsa. Quando questionado sobre aplicar o mesmo critério para cripto, respondeu que “não faz sentido”.
Dessa forma, a contadora classificou o argumento como político e arrecadatório, sem base técnica.
Impactos práticos da MP 1303 no mercado cripto
A proposta altera regras de forma profunda, afetando desde investidores iniciantes até empresas que operam com ativos digitais.
Principais mudanças e efeitos
- Tributação obrigatória mesmo para vendas de baixo valor
- Retenção de imposto na fonte, exigindo venda automática de ativos
- Trimestralidade para pagamento de tributos, inclusive para operações internacionais
- Ausência de equiparação com regras aplicadas a ações e ETFs
- Risco de fuga de capitais para corretoras estrangeiras
Reação do setor e alternativas sugeridas
- Manutenção da isenção de até R$ 35 mil/mês
- Exclusão da retenção automática na fonte
- Tributação apenas sobre conversão em moeda fiduciária
- Equiparação de investidores estrangeiros ao regime de ativos tradicionais
- Regulamentação de derivativos com intermediários locais
A dura realidade revelada pela contabilidade cripto
A contadora destacou que o discurso oficial sobre simplificação não se sustenta na prática. Inclusive, apontou que a mudança para trimestralidade penaliza quem opera no exterior, que antes pagava imposto apenas uma vez ao ano.
Realidade versus expectativa
Enquanto o governo promete modernização, o investidor cripto enfrenta aumento de carga tributária e complexidade operacional. Assim sendo, o setor pode perder dinamismo, inovação e competitividade. Em resumo, a MP 1303 representa um desafio para o futuro da criptoeconomia no Brasil.
Dados que reforçam o alerta
O Brasil encerrou 2024 com 37,87 milhões de usuários de criptoativos, superando o número de investidores na bolsa. Além disso, mais de 60% das negociações já ocorrem em corretoras estrangeiras. Sendo assim, a proposta pode acelerar a saída de capitais e empresas do país.


