Em uma semana decisiva para o setor de ativos digitais, os Estados Unidos iniciam votações que podem mudar radicalmente o mercado cripto global. Três projetos de lei estão em pauta no Congresso, com potencial de impactar diretamente o Bitcoin, as stablecoins e até as moedas digitais estatais (CBDCs).
O momento marca o início da chamada “Semana Cripto”, uma ofensiva legislativa que promete estabelecer as bases para a regulação do setor. E cujos desdobramentos devem repercutir em todo o ecossistema internacional.
A iniciativa, liderada por parlamentares republicanos, busca criar um marco regulatório claro e abrangente para criptomoedas, stablecoins e moedas digitais estatais.
Calendário das votações:
- Quinta-feira (17/07): Votação da CLARITY Act e da Anti-CBDC Act
- Sexta-feira (18/07): Votação da GENIUS Act
CLARITY Act: o marco regulatório que o mercado esperava
A CLARITY Act define os papéis da SEC (Comissão de Valores Mobiliários) e da CFTC (Comissão de Futuros de Commodities) na supervisão dos ativos digitais.
Além disso, também propõe isenções para projetos cripto que operem em blockchains maduras, facilitando a captação de recursos e reduzindo a insegurança jurídica.
O impacto esperado é o de atrair investidores institucionais, estimular novos projetos e tokens, e reduzir conflitos entre reguladores.
GENIUS Act: regras rígidas para stablecoins
A GENIUS Act exige que emissores de stablecoins mantenham 100% de reservas em ativos líquidos, como dólares ou títulos públicos. Também impondo auditorias regulares e aplicação da Lei de Sigilo Bancário.
Contudo, isso pode pressionar bancos menores e pode limitar a inovação de emissores estrangeiros, além de favorecer projetos ligados ao governo Trump.
Anti-CBDC Act: o veto ao dólar digital estatal
A Anti-CBDC Surveillance State Act está em votação no Congresso dos EUA e pode mudar radicalmente o futuro do dinheiro digital estatal. O projeto proíbe o Federal Reserve de emitir uma moeda digital oficial (CBDC), citando riscos de vigilância financeira e controle governamental.
A proposta ganhou força ao ser apresentada como uma defesa da privacidade dos cidadãos e uma barreira contra o uso político de ferramentas monetárias.
Se aprovada, ela impediria que o governo controlasse transações individuais e reforçaria o papel de ativos descentralizados como o Bitcoin.
O mercado reagiu com força: o Bitcoin ultrapassou os US$ 123 mil, impulsionado pela expectativa de aprovação dos projetos da “Semana Cripto”. ETFs de BTC registraram entradas superiores a US$ 2,7 bilhões na última semana.
De quebra, criptoativos estão ganhando status institucional, com o Ethereum atraindo mais aportes que o Bitcoin nos últimos três meses.
Além disso, tokens regulados como USDC e USDT aumentaram significativamente seu volume de negociação, consolidando-se como pilares da nova infraestrutura financeira digital.
Impacto global: modelo para Brasil, Europa e China
Se aprovadas, essas leis podem servir de modelo internacional, influenciando regulações em países como Brasil, União Europeia e China.
A discussão vai além do mercado financeiro, trata-se de liberdade econômica, privacidade e controle estatal sobre o dinheiro digital.
Dessa forma, a “Semana Cripto” nos EUA não é apenas um evento legislativo e sim um divisor de águas para o futuro das criptomoedas.
Com propostas que vão desde a regulamentação de stablecoins até o veto a moedas digitais estatais, o que está em jogo é a forma como o mundo vai lidar com o dinheiro digital nos próximos anos.
Se o Congresso americano aprovar essas leis, o mercado cripto pode finalmente sair da zona cinzenta e entrar em uma nova era de legitimidade, segurança e expansão institucional.


