Stablecoins movimentaram mais de US$ 400 milhões por hora, ininterruptamente, ao longo do terceiro trimestre de 2026, segundo relatório produzido pela Coinbase em parceria com The Block.
O volume total no trimestre chegou a US$ 891 bilhões, mais do que quatro vezes o registrado no início de 2023, e sete dos maiores bancos americanos já operam com stablecoins ou depósitos tokenizados.
A seguir:
- O ritmo de crescimento e o volume projetado para 2027
- Como os grandes bancos dos EUA estão se posicionando
- Por que 73% das transferências acontecem fora do horário bancário
O estudo calcula uma taxa de crescimento anual composta de 49,94% para o volume de transações. Mantido esse ritmo, o valor movimentado deve alcançar cerca de US$ 1,48 trilhão no quarto trimestre de 2027. Os números colocam as stablecoins entre os segmentos de pagamento de maior expansão no mundo.
O relatório também mapeia a base de usuários: 293 milhões de endereços únicos já carregam stablecoins. Esse número supera a soma das bases de usuários de mobile banking do JPMorgan Chase, Bank of America, Wells Fargo e Citi combinados, o que dá dimensão real da penetração desses ativos fora do sistema bancário tradicional.
Bancos tradicionais entram no jogo
JPMorgan Chase, Citibank, Wells Fargo, U.S. Bancorp, PNC Bank, Truist Bank e BNY Mellon já trabalham com stablecoins ou versões tokenizadas de depósitos, de acordo com o levantamento. A lista reúne algumas das maiores instituições financeiras do país e sinaliza que a adoção deixou de ser periférica.
O movimento ocorre num momento em que o debate regulatório sobre stablecoins ganha força nos Estados Unidos. O avanço dos bancos indica que a infraestrutura de liquidação em tempo real, característica das stablecoins, passou a ser vista como vantagem operacional, e não mais como ameaça ao modelo tradicional de custódia.
No Brasil, o ambiente regulatório segue em construção: o Banco Central já havia restringido o uso de Bitcoin e stablecoins em operações de remessa, enquanto iniciativas como o desenvolvimento de stablecoins lastreadas em reais avançam no setor privado.
Pagamentos que não dormem
73% das transferências com stablecoins ocorrem fora do horário bancário convencional dos Estados Unidos. O dado revela um uso que vai além da especulação: pessoas e empresas recorrem a esses ativos justamente quando bancos e câmaras de compensação estão fechados.
Esse comportamento é especialmente relevante para mercados emergentes, onde diferenças de fuso horário, acesso bancário limitado e necessidade de remessas internacionais criam demanda por liquidação 24 horas. Para América Latina e África, onde parte relevante da renda de migrantes chega via remessas, a disponibilidade contínua é um diferencial direto.
O relatório ainda aponta o uso crescente de stablecoins por agentes de inteligência artificial em transações automatizadas, uma frente que ainda representa volume pequeno, mas que tende a crescer à medida que sistemas autônomos precisam movimentar valor entre si sem intermediários humanos.
Projeção e próximos movimentos
Com US$ 891 bilhões no terceiro trimestre de 2026 e crescimento composto próximo a 50% ao ano, o setor se aproxima da marca de US$ 1 trilhão por trimestre. A projeção de US$ 1,48 trilhão para o quarto trimestre de 2027 parte da manutenção do ritmo atual, o que depende de fatores regulatórios, de infraestrutura de rede e de adoção corporativa.
A discussão sobre tributação de stablecoins no Brasil tende a ganhar urgência diante desses volumes globais. À medida que grandes bancos americanos consolidam presença no setor, reguladores de outros países enfrentam pressão crescente para definir regras claras antes que o mercado resolva a questão por conta própria.


