Mais de 40 deputados federais planejam apresentar um pedido de impeachment contra o presidente Lula (PT) após suas declarações no domingo (18). Na Etiópia, Luiz Inácio Lula da Silva comparou o conflito entre Israel e a Palestina ao Holocausto.
A iniciativa vem de deputados federais que apoiam o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Para os parlamentares, a declaração de Lula é “injustificável, leviana e absurda”. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Dessa forma, a intenção é embasar o pedido em um trecho da lei. O texto que considera crime de responsabilidade “cometer ato de hostilidade contra nação estrangeira, expondo a República ao perigo da guerra, ou comprometendo-lhe a neutralidade”.
Lula se torna persona non grata em Israel
No último domingo (18), o atual presidente do Brasil afirmou que não há paralelo para o que está ocorrendo em Gaza, exceto pela Alemanha nazista durante a Segunda Guerra Mundial.
“O que está acontecendo em Gaza não aconteceu em nenhum outro momento histórico, só quando Hitler resolveu matar os judeus.”
– declarou o presidente Lula, durante coletiva de imprensa.
A fala teve repercussão internacional e foi recebida como uma grande ofensa por representantes de Israel e entidades judaicas no Brasil, iniciando uma crise diplomática.
Além disso, nas redes sociais, Israel Katz, ministro das Relações Exteriores de Israel, declarou nesta segunda-feira (19), que Lula não é mais bem-vindo no país:
“Não perdoaremos e não esqueceremos — em meu nome e em nome dos cidadãos de Israel, informei ao Presidente Lula que ele é uma ‘persona non grata’ em Israel até que ele peça desculpas e se se retrate”, escreveu o ministro das Relações Exteriores de Israel, Israel Katz, nas redes sociais.”
De acordo com o ministro, a comparação “é um grave ataque antissemita que profana a memória daqueles que morreram no Holocausto”, evento que vitimou mais de 6 milhões de judeus.
Segundo o vice-presidente da República, Geraldo Alckimin, Lula defende a paz:
“Em relação a esse tema, o presidente Lula deixou claras duas coisas: a 1ª é que o ato do Hamas foi um ato terrorista. E a 2ª é que ele defende a paz. Que haja um cessar-fogo no sentido da busca pela paz. Esse é o seu entendimento”
Declaração pode levar ao impeachment de Lula?

Apesar da revolta generalizada, o discurso de Lula pode não ser o suficiente para configurar crime de responsabilidade, como buscam os deputados brasileiros.
“Entendo que para caracterizar o tipo da lei tem que ter mais do que discurso ou opinião. Teria que ter envio de armas, soldados, ajuda para a manutenção do conflito. Entendo que comprometer a neutralidade é efetivamente se engajar por um dos lados. Por enquanto foi só discurso.”
– Alberto Rollo, especialista em Direito Eleitoral.
Além disso, o Palácio do Planalto reforça que a fala do presidente no último final de semana foi uma crítica ao conflito na faixa de Gaza, não ao povo judeu. Assim, Lula não deverá deve pedir desculpas pela fala do último final de semana, aponta.




