O Ministério Público de São Paulo deflagrou a Operação Ícaro resultando na apreensão de R$ 10 milhões em criptomoedas e na prisão de seis pessoas, incluindo o fundador da Ultrafarma, Sidney Oliveira, e o diretor da Fast Shop, Mário Otávio Gomes.
A ação investiga um esquema bilionário de corrupção fiscal envolvendo auditores da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo. Além das criptomoedas, foram apreendidos R$ 1,8 milhão em espécie, relógios de luxo, pedras preciosas e documentos que indicam movimentações suspeitas desde 2021.
Esquema de corrupção fiscal e lavagem com criptoativos
Segundo o MP, o esquema consistia em facilitar o ressarcimento de créditos de ICMS para grandes empresas varejistas, como Ultrafarma e Fast Shop, em troca de propinas disfarçadas de consultoria.
Além disso, os auditores envolvidos manipulavam processos administrativos, aprovando valores acima do permitido e acelerando prazos de liberação.
Empresa de fachada e salto patrimonial
A investigação revelou que o auditor Artur Gomes da Silva Neto operava o esquema por meio da empresa Smart Tax, registrada no nome de sua mãe, Kimio Mizukami da Silva, uma professora aposentada de 73 anos.
Inclusive, o patrimônio declarado por ela saltou de R$ 411 mil em 2021 para mais de R$ 2 bilhões em 2023, atribuído majoritariamente a investimentos em criptomoedas.
Sendo assim, os investigadores identificaram que a Smart Tax não possuía funcionários nem estrutura operacional, funcionando na residência do auditor. Assim, a empresa recebeu mais de R$ 1 bilhão da Fast Shop em dois anos, segundo dados da Receita Federal.
Detalhes da operação e valores apreendidos
A Operação Ícaro cumpriu 19 mandados de busca e apreensão, além de sequestro de bens. Entre os alvos estavam empresários, auditores fiscais e operadores financeiros.
Em Alphaville, na Grande São Paulo, foram encontrados R$ 1,2 milhão em espécie, US$ 10,7 mil, € 1.590, cerca de R$ 200 mil em criptomoedas, relógios de luxo e pacotes de esmeraldas.
Em resumo, o esquema teria rendido mais de R$ 1 bilhão em propinas desde 2021, segundo o promotor João Ricúpero. Por fim, o MP segue apurando se outras empresas varejistas também participaram da fraude, embora os nomes ainda estejam sob sigilo.


